Fraga mais que otimista
-O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse ontem em entrevista à Globo News que a inflação no próximo ano poderá ficar abaixo da meta de 6%. ‘‘No ano que vem nós temos uma redução importante nos vencimentos, nas amortizações dos nossos papéis, dos nossos empréstimos, há uma queda significativa e você tem também, provavelmente, já a partir do início do ano, uma melhoria do saldo comercial’’, afirmou o presidente do BC.
-Fraga lembrou que no ano passado o déficit em conta corrente foi de US$ 36 bilhões, e o déficit previsto para este ano é de R$ 26 bilhões. ‘‘Alguma mudança ocorreu’’, afirmou Fraga. ‘‘A nossa expectativa é de que no ano que vem isso caia um pouco mais, os empresários brasileiros estão se preparando para exportar e acho que esse vai ser um fator de reforço da retomada do crescimento no ano que vem.
-O presidente do BC acredita que para o próximo ano, o Brasil poderá t er um superávit de US$ 5 bilhões. ‘‘Olhando para o balanço de pagamentos, para a capacidade na economia, para as perspectivas do sistema como um todo, eu vejo realmente a coisa bem encaminhada’’. Para o próximo ano, Fraga confirma a perspectiva de queda dos juros, de crescimento da economia de 4% a 5% com uma inflação igual ou menor do que a meta.
-Os economistas costumam dizer que a inflação tem que ser controlada por conta do equilíbrio no merdado e da oferta e demanda agregada de bens. Eles consideram artificial o controle pelos instrumentos monetários, por exemplo. Ou por achatamento demasiado do poder aquisitivo, isso transpareça como redução de demanda, uma variável aparentemente correta tecnicamente.
-Não vale, portanto, segurar a inflação pela variável cambial. A propósito, a queda do dólar, de R$ 2 para R$ 1,94 a partir do fim de outubro, foi considerada ‘‘não perceptível’’ no custo de vida no varejo, segundo a gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, em entrevista aos jornais na quarta-feira. Eulina é considerada pela Agência Estado como uma das responsáveis pelo cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador inflacionário adotado para medir as metas de inflação que o Banco Central (BC) tem de alcançar neste e nos próximos três anos, pela nova política monetária da instituição.
-A influência do dólar, com este tipo de variação, é uma sutileza. ‘‘Conseguimos medir depois de janeiro, mas porque houve uma desvalorização forte’’, afirmou. O efeito da alta do valor da moeda estrangeira fica mais difícil de observar por causa da demanda reprimida, avaliou a gerente do IBGE.
-A tese de que existe uma inflação reprimida no varejo, que vai ser repassada para o consumo quando houver sinais de crescimento econômico, ainda precisa ser confirmada empiricamente. A comparação entre as variações, neste ano, do dólar com os índices de inflação no atacado, medida pelo Índice de Preços ao Atacado (IPA) da FGV-RJ e no varejo, pelo IPCA, confirmam a avaliação da economista do IBGE.



Boi a R$ 43,00
A arroba de boi atingiu ontem R$ 43,00 no Estado de São Paulo, com alta de 2,4% em relação à semana passada. A pressão deve continuar. Mercado acredita que o boi deve ficar pouco nos R$ 44,00/arroba e ir logo para os R$ 45.
Estoque
A arroba a R$ 45 vai mostrar exatamente o estoque de boi para ser vendido. Esse preço é lucrativo para os pecuaristas, que devem fazer uma desova maior de bois confinados. Por ora, os pecuaristas ainda estão reticentes.
Escalas curtas
As escalas de abate foram encurtadas; o quilo avulso do traseiro subiu
para R$ 3,30 no atacado. Com a queda do real, o valor das exportações de carne aumentou 21% nos nove primeiros meses deste ano, enquanto as importações caíram 48%.
Paraná também
Os preços em São Paulo são um referencial do mercado. Veja também os preços no Paraná. Não demora e os preços dos demais Estados, inclusive os do Paraná, devem encostar nos preços paulistas. Exceção apenas para Mato Grosso e Goiás.
Preços externos
As principais commodities mantêm recuperação. Ontem a soja fechou com alta de 0,50% em Chicago enquanto o café subiu 0,76% em Nova York. Nos últimos 30 dias, o café teve valorização de 28%; soja caiu 2%. (Vaivém das Commodities),

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