Precozidos & supercongelados
-As Centrais de Abastecimento (Ceasas), a Ceagesp (SP) e, mais recentemente o Sebrae, estão envolvidos em projeto para padronizar hortifrutigranjeiros. Como cinquenta anos atrás, o atacado, embora gigantesco em produção e consumo, não conseguiu sair das rudimentares caixas de madeira ou plástico. Desuniformes no peso e no volume. Daí a definir uma padronização e classificação o saldo exigido é bem maior.
-Enquanto a evolução não chega, uma boa faixa desse mercado, a indústria dos precozidos supercongelados, importa brócoli, couve-flor, ervilha, fundo de alcachofra etc., do Chile, Holanda e até do Egito. De uma pauta de 30 itens, poucos são de produção nacional. Alguns itens são bem diferenciados, cenoura baby, ducheese de batata, framboesa, aspargo verde...
-O cliente: restaurantes, cozinhas industriais, algumas redes de supermercados. Cerca de 60% dos grandes restaurantes paulistanos se utilizam desse serviço. Recebem os legumes em boas condições, tamanhos e cores uniformes, bom aspecto. Desconhecem os efeitos da sazonalidade na produção.
-Para o consumidor, melhor ainda. Precozimento e supercongelamento submetem o alimento a um vapor de aproximadamente 100 graus e, depois, a cerca de 100 graus negativos (nitrogênio). Alimentos e embalagem esterilizados.
-Pergunto ao gerente comercial de uma dessas indústrias, a Agrifoods Comércio e Indústria de Alimentos, de São Paulo, sr. Elias Rapaci, por que não ‘‘trabalhar’’ a produção nacional e se abastecer dela. A resposta não diverge muito das explicações de outras indústrias e dos próprios técnicos: falta de assistência, falta de disposição para melhorar a qualidade, enfim, produtores sem orientação e, sobretudo, não receptivos ao compromisso de seguir um padrão determinado. Quem se dispôs a seguir as regras, quis elevar preços aos patamares dos produtos importados – o que, convenhamos, é plausível. Ou tropeçam na regularidade, fator determinante num contrato entre fornecedor e indústria.
-Dá para resumir tudo numa definição: ausência de profissionalismo. Tudo bem que importemos a folha de videira do Egito, que talvez incorpore lá seus misticismos e charme, mas importar batata-palito ou morango, também já é demais. As indústrias estão certas: vão buscar o melhor para seus clientes.
-Quero crer, porém, que o grande obstáculo está na falta de investimento, que passa pela estabilidade monetária, que o produtor nunca teve.
-Conversando mais com Elias Rapaci, fico sabendo que a Agrifoods até que compra bastante no mercado interno. Ele cita, entre outras, uma empresa de Paranavaí, que fornece mandioca congelada.



Agrifoods
A Agrifoods é uma das maiores empresas no ranking de precozidos supercongelados. Pertence a um grupo multinacional que está no Brasil, Holanda e Egito. No Brasil abastece capitais, principal é São Paulo, e Foz do Iguaçu.
Padrão
Os técnicos colocam como pontos positivos dos precozidos supercongelados: redução das perdas no manuseio, conservação da qualidade e aspecto dos alimentos, uniformidade do padrão e presença regular dos alimentos na mesa.
Gargalos
Na produção interna: falta de política de abastecimento, falta de orientação técnica, ausência de investimentos. Secundariamente: resistência do produtor, dificuldade de mão-de-obra treinada do plantio ao transporte.
Prospecção
Empresas cooperativas que, anos atrás, fizeram prospecção de mercado para implantar projeto de produção, industrialização e comércio de legumes, disseram esbarrar na falta de plano de investimento e concorrência dos importados.
Projeto
O ex-ministro Turra tinha um projeto que permanece no ministério da Agricultura propondo a implantação de redes de armazéns frigoríficos para estocagem da produção. Etapa seguinte seria criação de estrutura industrial.

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