-O governo está estudando a desregulamentação do setor de açúcar e álcool, mas ainda não consegue se livrar do protecionismo ao Nordeste. É o atavismo histórico. Isto o governo deixa entrever na forma como começou a estruturar o aumento da quota preferencial. A quota preferencial adicional de açúcar de 29.442 toneladas que o Brasil conseguiu para exportar aos Estados Unidos obterá o preço de US$ 450 por tonelada no mercado americano, quase o dobro do preço do açúcar no mercado internacional, que é de US$ 240. Quem vai ter este ganho adicional são os Estados do Nordeste, que ratearão a quota proporcionalmente à sua participação nas exportações de açúcar: 47% para Pernambuco, iguais 47% para Alagoas e a parte restante rateada entre a Bahia, o Rio Grande do Norte e a Paraíba.
-Segundo o diretor do Departamento de Álcool e Açúcar do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, Pedro Cabral, embora a previsão inicial de exportações de açúcar para este ano seja de 5,4 milhões de t, o aumento da quota preferencial para os Estados Unidos - que estava anteriormente em 264 mil t -, não deve ser encarada como uma migalha. Ele a considera uma conquista, negociada pelo ministro Dornelles, e um estímulo para o Brasil insistir em novos aumentos de sua participação na quota preferencial. Lembrou que o México, membro do Nafta ao lado dos Estados Unidos e do Canadá, vinha insistindo para ele, sozinho, abocanhar as novas quotas suplementares.
-Pedro Cabral disse ao repórter Fredy Krause, da ‘‘Agência Estado’’, que o Brasil não precisará importar álcool anidro este ano, em virtude da estimativa de que terá uma safra excelente de cana-de-açúcar, que lhe permitirá produzir aproximadamente 15 bilhões de litros de álcool. Com isso, o País somente cumprirá os contratos de importação anteriormente negociados, sobretudo com o Chile, mas não precisará mais fazer importações de álcool dos Estados Unidos e da África do Sul, como em anos anteriores.
-É também esta safra boa, segundo Cabral, que permitirá ao País não só atender seu mercado interno de açúcar, estimado em 8 milhões de t, como ainda exportar 5,4 milhões de t. É igualmente por essa razão que o diretor do Departamento de Álcool e Açúcar não vê nenhum problema em o Brasil fornecer a quota preferencial adicional de 29.442 t de açúcar que acaba de obter no mercado norte-americano.
-Cabral confirmou, mas ainda não quis prever se o atual plano de safra de açúcar e álcool será o último. Segundo ele, é preciso deixar bem assentados que o mercado interno precisa ter garantido seu abastecimento de açúcar e álcool para, só depois disso, ser exportado o excedente da produção. Isto leva algum tempo, pois pode passar pelo Congresso Nacional antes de entrar em vigor. Milho FGV/BM&F

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