Oswaldo Petrin
Máquinas para PD
-Poderia ser um pleito da indústria ou dos agricultores. Financiamento de máquinas para plantio direto. Máquinas que incorporem mudanças sugeridas pela pesquisa. Mas não. Agora são os técnicos que defendem financiamentos para o sistema de plantio direto (PD). Nem por isso, a preocupação é menos pertinente.
-Eles não vendem nem compram máquinas. Mas têm compromisso (profissional, científico, político, ideológico, sacerdótico e patriótico) com algo que pode ser resumido numa só palavra: sustentabilidade.
-O diagnóstico é mais ou menos o seguinte: 1) Há uma necessidade urgente de melhorar o manejo do solo, 2) Os agricultores estão conscientes de que precisam seguir a orientação da pesquisa, aprovada e validada, 3) Há um parque industrial disposto a introduzir novos equipamentos que incorporem alterações definidas em bases científicas e que levam em conta nossos tipos de solo, 4) Há conhecimento científico calcado em parâmetros da sustentabilidade, isto é, para estancar a degradação e depauperamento do solo, 5) Há uma demanda (reprimida) de máquinas.
-Mas falta crédito para este investimento.
-A indústria evoluiu muito. Mas o que se usa no Brasil são plantadeiras-adubadeiras ou seja as semeadoras de precisão. Seria interessante que o mercado estivesse comprando as semeadeiras, ou seja semeadoras de fluxo contínuo e as multissemeadoras, que são ao mesmo tempo de precisão e fluxo contínuo. E máquinas que permitam uma boa rotação de cultura, levando em consideração a necessária cobertura verde.
-O que está mais difundido hoje são máquinas que plantam culturas de verão e fazem a sucessão soja-milho safrinha. O que se defende, porém, para o bom uso do solo, são equipamentos que levem em conta, por exemplo, a cobertura do solo. Seria interessante, hoje, que o mercado estivesse ofertando este tipo de máquinas.
-Este, salvo erro de interpretação do repórter, é o pensamento dos pesquisadores das áreas de solo e engenharia agrícola do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Detalhe: a equipe de solos do Iapar tem o reconhecimento da comunidade científica brasileira e de muitas instituições internacionais neste setor. (Ainda neste final de semana, o Banco Mundial (Bird) está, mais uma vez, no Paraná com técnicos da Ásia, África, França e Estados Unidos, para conhecer a experiência do Paraná em PD no Oeste e Sudoeste do Estado). E quanto a Área de Engenharia é referencial nacional.
-Se os governos e a iniciativa privada, através de algumas parcerias investiram nesses técnicos e seus projetos, têm, no mínimo que considerar suas sugestões.
Impasse
Sem a adequação dos equipamentos, e/ou substituição dos atuais por estruturas adaptadas de fábrica, fica difícil executar um manejo ideal, ainda que o sistema de PD seja um grande avanço. Paraná exporta esse conhecimento.
Vicioso
Há um círculo vicioso: os agricultores, ainda que se achem conscientes, não inovam porque não contam com recursos para este investimento. As indústrias não lançam novos modelos por falta de demanda. Relação de perda & perda.
Crédito
Há crédito da Finame a 11,95% ao ano. Contratos acima de R$ 15 mil têm até cinco anos. Inferiores, têm prazo de até três anos. São taxas diferenciadas, porém superiores às que financiaram grandes multinacionais da telefonia.
Mercado
Vira e mexe a Anfavea divulga dados sobre o sucateamento das máquinas. A vida útil está no limite e exige reposição. Se o governo sentar com os técnicos da pesquisa e executivos da indústria pode montar um grande projeto.
O campo espera
Pode criar a oferta de máquinas e modernizar o campo. Vai gerar emprego na indústria, retorno imediato. Indústria e institutos de pesquisa estão aí levantando a bola para o governo chutar. Mas esse governo não entra em campo. Vai que é sua ministro Pratini...





