O estouro da champagne
-Não se deve afirmar que vai faltar champagne para comemorar a entrada do Ano 2000. Porém, se alguém lhe disser isto, não duvide. Todas as previsões de aumento de consumo estão sendo revistas.
- É o que diz Gilberto Pedrucci, presidente da Associação Brasileira de Enologia - enólogo e enófilo, porque além de entender, aprecia. Parece que o brasileiro - a faixa que consome - começou cedo, afinal até agora as vendas sinalizam crescimento de 40% sobre o ano passado. Não deixe para comprar na última hora.
-Pedrucci dá exemplos da ‘‘voracidade’’ prenunciada. Indústrias vêm reforçando seus estoques; redes de supermercados ampliam seus pedidos. Talvez porque a demanda desse tipo de bebida não pode ser suprida no curtíssimo prazo: são necessários entre 40 e 50 dias; não adianta iniciar a produção no início de dezembro, por exemplo, para consumir no dia 31. Não há tempo.
-A tradicional Peterlongo, que iniciou atividades no Brasil em 1915, está duplicando a produção de um produto exclusivo, a champagne ‘‘Peterlongo 2000’’. Havia uma previsão de 5 mil caixas (de 12 garrafas) que foi corrigida para 10 mil e agora terá de ser ampliada, a julgar pela previsão de demanda na última semana.
-O ‘‘Armando Peterlongo Bruto’’ (seco) carro-chefe da indústria será mais demandado, mas não há números exatos. O fato é que as indústrias do setor estão entusiasmadas. Não há recessão ou crise de consumo que resista o momento singular, impulsionado por emoção. Quem não pode tomar champagne de primeira linha, vai nos mais populares. Se ainda está difícil, vai nos filtrados doces.
-Jurado de concursos internacionais oficiais, o professor Pedrucci aconselha: Não se empolguem com os importados. Temos produtos nacionais de qualidade. Isto vale também para os vinhos. Raciocínio é simples: um tipo francês de qualidade intermediária, custo hoje na França, em torno de 40 francos ou cerca 8 a 9 dólares - 16 reais lá. Não deve chegar no Brasil por menos de 30 a 40 reais. Como pode, então, ser ofertado por apenas 10 a 15 reais?. Logo, o francês, alemão ou italiano adquiridos na faixa de preço dos importados encontrados no Brasil não podem ser sequer um tipo intermediário.
-Dica: para quem não conhece profundamente champagne ou vinho, o técnico sugere o selo: verifique se a embalagem faz referência a algum prêmio e veja se o concurso foi oficial. É uma referência.
Os concursos internacionais são pautados em parâmetros científicos. Os jurados são técnicos de alto nível. Os concursos precisam ser reconhecidos pelo organismo internacional, no caso a Organização Internacional da Uva e do Vinho.

Veja o site
  Para saber mais, o site da Associação Brasileira de Enologia é uma opção: www.ufrgs.br/enologia. Quem quiser informação específica da Peterlongo, incluindo o champagne brasileiro mais premiado no Brasil e lá fora, pode acessar www.peterlongo.com.br.

O champagne
  É considerado rei dos vinhos pois além dos atributos cor e sabor do vinho com o qual é feito, apresenta a complexidade dos aromas e gostos atribuídos às leveduras. O movimento borbulhante, do anidro carbônico liberado, é um charme.

Borbulhas
  O princípio da elaboração dos champagnes é o aproveitamento de um dos componentes que se formam durante a fermentação: o anidro carbônico, responsável pela formação da espuma e borbulhas formados quando se abrem as garrafas.

Espumante natural
  Os técnicos chamam essas borbulhas de espumantes naturais porque o anidrido carbônico (gás carbônico, para nós leigos) é natural, produto da fermentação e não injetado como o de um refrigerante ou água mineral gaseificada...

Princípio
  É o produto cujo princípio resulta de uma segunda fermentação alcoólica do vinho, em grandes recipientes ou na própria garrafa, com pressão mínima de 4 atmosferas a 20 graus e com um conteúdo alcoólico de 10 a 13% em volume.

mockup