Oswaldo Petrin
Juros. Questão cultural
- A cultura dos juros altos sobrevive. Os bancos transferem depósitos em conta corrente para os fundos de aplicação e o crediário do varejo opera com taxas de 6%. Ninguém, com exceção dos especuladores e coniventes (mais da metade da população economicamente ativa), tem saudade da ciranda financeira, sepultada pela estabilidade econômica. No entanto, ainda há setores da economia que insistem em viver mais da administração monetária e menos da atividade produtiva. No varejo, por exemplo, o grande filão é o juro alto que além de funcionar como uma proteção contra a inadimplência, esconde a própria ineficiência da operação das lojas. Embora a tendência seja de que os juros devam baixar, não há como negar que as taxas de juros se abeiram aos da especulação.
- O ganho financeiro está sobrepujando o ganho mercantil, como nos velhos tempos? Parece que sim. Contudo, a grande diferença entre a taxa de captação e de empréstimo da venda a crédito (spread), não está sendo suficiente para remunerar os custos e cobrir a ineficiência da operação, segundo os especialistas. Isto sugere que as taxas devem cair rapidamente. O cliente também está ficando mais esperto, ou então menos impulsivo nas compras e menos deslumbrado com as facilidades do cadastro e suavidade do prazo.
- Deixando de lado a questão crediário, existem denúncias de que os próprios bancos estão induzindo à aplicação. Alguns bancos estão transferindo depósitos dos correntistas para os fundos de investimentos e a poupança, talvez numa tentativa de burlar a legislação que obriga a destinação de até 25% dos depósitos à vista para aplicações no crédito rural.
- A transferência de recursos do crédito agrícola para aplicação no mercado financeiro - mesmo que temporariamente e qualquer que seja a modalidade da aplicação - resulta do atual sistema de crédito agrícola que comporta distorções. O próprio secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Dias, disse que o sistema nacional de crédito rural está se esfacelando e que os recursos do governo para o financiamento da safra mal atingem 20% das necessidades. Em sua opinião, é preciso reorganizar os mercados, com menor presença do governo, que atuaria com estoques reguladores e em ações estratégicas de infra-estrutura para dar condições de uma maior produção e escoamento de produtos no País.
- A transferência de dinheiro do financiamento - creditado em conta corrente do mutuário - para fundos de aplicação (do próprio mutuário) foi denunciada ontem no Encontro Nacional de Secretários Municipais de Agricultura, que se realiza em Brasília. Um deputado da Bahia, Beto Lélis, disse que ao pegar o extrato constatou que o dinheiro não estava na conta corrente, mas sim aplicado, sem que eu tivesse pedido. Gafanhotos
- O empresário Pedro Favoreto telefonou ontem para este repórter informando que uma de suas fazendas estava sofrendo ataque de gafanhotos. Presença da praga foi constatada em área de 60 alqueires de milho, em Bela Vista do Paraíso.
Alvo fácil
- Favoreto determinou para hoje de manhã a pulverização da lavoura. Ontem chovia no local. A lavoura de milho atacada está em fase de espigamento. É a primeira da região, o que explica a presença da praga por enquanto só naquele local.
Voraz
- Gafanhotos, felizmente, são coisa rara no Sul. Seria melhor que Favoreto estivesse enganado. Mas ele disse ter certeza. O gafanhoto é do tipo miúdo, preto. Sua voracidade é maior que o gafanhoto verde e graúdo, mais conhecido. Eles comem as folhas e só deixam o talo, segundo o produtor.
Terrível
- A preocupação é que após o milho a praga venha a atacar as pastagens. Isso se realmente tratar-se de ataque severo. A confirmação do inseto, dimensão do ataque e nível de dados devem ser apurados hoje. É torcer para que se trate de alarme falso.
Soja preço
- Resta pouco produto para ser comercializado, mas produtores e compradores não estão se acertando no preço. Quem tem pede demais (R$ 18,50 a saca) e quem necessita não está disposto a pagar tanto. (Cotações e tabelas nesta página).





