Oswaldo Petrin
Crise atinge balança
Comparando: no ano passado, nesta época, já se comemorava, na agroindústria, o saldo da balança comercial do ano. Tanto quanto no primeiro semestre, o bom desempenho do item agropecuário, garantiu o equilíbrio importação/exportação, apesar da retração dos manufaturados e outros setores, aço ferro gusa, calçados, etc. Ou seja, o setor primário e sua indústria evitaram o pior, evitaram o crescimento do déficit da balança de pagamento.
-Este ano - apesar do destaque de alguns itens como a carne bovina em alguns meses, e o frango, durante o ano inteiro -, a situação não é tão confortável. O saldo da balança agropecuária não é bom, a julgar pelos dados disponíveis na Conab até agosto. A receita (saldo) da agropecuária na balança ficou em
US$ 9,56 bilhões, 1,14% menos do que o mesmo período, até agosto/setembro, de 98 (US$ 9,67 bilhões).
-Para o final do ano a diferença pode aumentar. Não há nada que indique incremento das exportações a não ser a cobertura de contratos de café e soja e novos contratos de suco. Mas, sem impacto nas estatísticas para reverter o quadro, mantendo a projeção de um ano fraco em exportação.
-Isto revela um novo indicador da retração de atividade e queda da riqueza do setor primário. A redução da receita ocorre exatamente quando surge uma variável forte em favor de um novo superávit: a desvalorização do real que reduziu a queda das importações. A desvalorização foi um grande aliado - até agosto o país importou o equivalente US$ 2,88 bilhões, 30% a menos que em 1998 -, mas, mesmo assim, a redução em relação ao ano passado é visível. Não fosse a desvalorização, a queda dos valores da exportação ficaria mais transparente.
-A se lamentar existem aí as barreiras comerciais imposta pelos Estados Unidos. Principais vítimas: suco de laranja, produtos siderúrgicos, açúcar, calçados, fumo, gasolina, camarão, álcool etílico e óleo de soja em bruto
-Não fossem as restrições - barreiras comerciais aos produtos brasileiros - as exportações brasileiras teriam um ganho de US$ 831 milhões, o que teria representado um aumento aproximado de 53% sobre o valor médio das exportações desses produtos no período 1997/98.
-Tudo isso é reflexo de crise interna. Mas se dependesse de pelo menos um setor, o frango, a situação seria outra: É que as exportações de carne de frango voltaram a registrar um recorde histórico no mês de setembro, atingindo 78,76 mil t, segundo o diretor executivo da Associação dos Produtores e Exportadores (Abef), Cláudio Martins. O volume exportado em setembro último é 17,7% superior às 66,9 mil t verificadas em igual período de 1998 e ligeiramente superior às 76,3 mil t exportadas em agosto de 1999, o recorde anterior.
Consórcio
O Banco Central autorizou ontem a instalação de novas administradoras de consórcios. Autorização estava suspensa desde outubro de 94, quando houve suspensão de consórcios por irregularidades. Regulamento continua o mesmo.
Capital
A abertura de novas empresas continua sujeita ao cumprimento de várias exigências do Banco Central, como por exemplo, capacidade patrimonial e atendimento aos limites mínimos de capital e capacidade de liquidez.
Judicial
Pelos dados do BC, de dezembro de 1994 até hoje, 80 administradoras de consórcios fecharam as portas, a maioria delas após liquidação judicial. O número de empresas, em 1994, era de 490. Agora são 410.
Imóveis
Para abrir uma administradora o interessado deve comprovar idoneidade junto ao BC, demonstrar capacidade patrimonial e ter capital mínimo de R$ 470 mil no caso de consórcio de imóveis e de R$ 180 mil para os demais (AE).
Novidade
Agentes de consórcios de veículos já foram alertados pelas suas matrizes que até o final do ano haverá mudanças no regulamento de consórcio. Outra novidade é que qualquer empresa do setor pode operar também com consórcio de imóveis.





