-A perda da safrinha é ameaça ao pagamento da primeira parcela da dívida securitizada, que vence em setembro. Não chove em quantidade suficiente e o Ministério da Agricultura deve estar preocupado com a frustração da safra de inverno no Sul. Há algo mais grave do que os prejuízos numéricos sobre as safrinhas de milho e soja e, também, sobre a safra de trigo - que ainda pode ser semeada, porém com riscos inerentes ao atraso do plantio. O mais grave aí é que a perda de safra tem uma força psicológica muito forte sobre a política agrícola e o abastecimento. No caso do mercado há uma reação apenas temporária dos preços, que certamente será absorvida através dos diversos elos da cadeia produtiva, perdendo o impacto antes de chegar ao consumidor. Ou simplesmente não é repassada porque o mercado está concorrido e o consumo é fraco. Isto evitaria sobressaltos nos preços, sem risco de transparecer nos índices inflacionários.
-Mas a pior consequência recairá sobre a securitização. Vem aí forte onda de inadimplência, se o governo não tiver boa vontade para aceitar a renegociação. A primeira parcela do programa da securitização vence após a safra de inverno. Não foi por acaso que escolheram este período, esgotado o prazo de carência. Sem safra de iverno, haverá forte pressão pelo adiamento da primeira parcela. O agricultor vai alegar - com razão - que se pagar primeira parcela da dívida securitizada, não terá giro para sobreviver nem reservas para custear a próxima safra de verão, aquela que em geral é tema de discursos políticos.
-Ou o governo abre já a renegociar da primeira parcela da dívida securitizada ou, então, trate de abrir bem as torneiras do Tesouro para financiar a safra 97/98. Como isto não deve acontecer, certamente terá de aceitar a renegociação.
-O ministro Porto anunciou dias atrás a redução das taxas de juros para a safra 1997/98. Mas isto não é nada diante da expectativa dos produtores e da recessão que está por acontecer. Uma nota do Ministério da Agricultura divulgada ontem afirma que o financiamento ao crédito rural na próxima safra terá taxas de juros menores que os 12% praticados na safra passada, mas a redução ainda será definida pela área econômica do governo.
-Os técnicos do Ministério da Agricultura que trabalham nas regras de ajuste para o próximo plano de safra observam que a grande expectativa dos produtores rurais é a redução dos juros nos financiamentos, mas acreditam que a queda das taxas será pequena para não estimular um aumento exagerado da procura pelo crédito. Também haverá pequena elevação dos preços mínimos dos grãos, revelam os técnicos. O governo anunciará as novas regras da safra até o final do mês; o total de recursos aplicado no crédito rural poderá atingir R$ 8 bilhões, mais que a metade de todo o financiamento ao custeio do País. Açúcar/Alca

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