A ameça do atacado
-A explosão dos preços de alguns itens da alimentação, como a carne, e a variação do dólar (chegou a R$ 2,00, ontem) podem lever o governo a rever sua intenção de reduzir os juros. São fatores que exercem influência sobre a inflação.
-O governo acha que não, no caso do dólar, pelo menos, segundo garantiu ontem o presidente do Banco Central tantando tranqulizar o mercado: a alta dos preços no atacado, puxada pelo dólar, não ameaça por enquanto o cumprimento das metas de inflação, acredita o Banco Central.
-Num seminário ontem em São Paulo, o presidente do BC, Armínio Fraga, admitiu estar atento à crescente diferença entre os índices de inflação no atacado e no varejo. O Índice de Preços no Atacado já subiu cerca de 20% no ano. ‘‘É possível esse seja um elemento de repasse nos próximos 18 meses’’, disse Fraga.
-Segundo ele, o BC está ‘‘conservadoramente’’ estimando um repasse futuro maior do que o já ocorrido e, mesmo assim, o cumprimento das metas não estaria ameaçado. A expectativa é de um IPC-A de 7,5%, abaixo da meta, disse Fraga à repórter Tatiana Bautzer, da AE. O presidente do BC negou ter levado em conta o risco de inflação ao evitar liberar o depósito compulsório sobre depósitos à vista no pacote para reduzir juros divulgado na semana passada. ‘‘Nossa preocupação foi apurar o que está acontecendo com o fluxo de dinheiro’’. A preocupação com a inflação é maior na política de intervenção do BC no câmbio. Perguntado sobre um limite informal para a cotação do dólar a R$ 2,00, Fraga respondeu que não há ‘‘números mágicos’’ e que o BC ‘‘fica de olho na expectativa de inflação futura e ponto final’’.
-Fraga admitiu que uma queda significativa nos juros ao consumidor deve demorar. ‘‘Não se pode esperar um milagre a partir do anúncio do pacote’’, afirmou. Mas defendeu o conjunto de medidas das críticas, afirmando que o BC fez um diagnóstico preciso e criou medidas direcionadas contra os fatores que tornam o sistema financeiro ineficiente. Segundo ele o pacote vai funcionar, e sua eficácia será monitorada pelo BC.
-A crise do mercado financeiro, provocada pela instabilidade na bolsa de Nova York, admitindo que um cenário externo difícil poderá afetar o Brasil. Mas Fraga afirmou que hoje o mercado já incorpora a possibilidade de acontecer algo negativo no próximo ano nos Estados Unidos, e hoje o País tem melhores condições de resistir a instabilidades externas do que há algum tempo, porque tem economia pouco alavancada e não depende de capital de curto prazo para financiar o balanço de pagamentos.
-No seminário ‘‘O Futuro do Banco Central’’, promovido pelo Instituto Fernand Braudel, Fraga defendeu a redução do número de bancos públicos, lembrando que o estudo que está sendo concluído pelo governo deverá avaliar alternativas para os bancos públicos e uma das medidas em estudo é a transformação da Caixa Econômica Federal (CEF) em banco de fomento. Fraga disse que não vê razão para a existência de bancos comerciais públicos.



IOF
A queda do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% para 1,5% ao ano já começou a vigorar ontem. Mas a redução das taxas de juros nos bancos e nas financeiras ainda está sendo estudada. Novidades até o fim da semana.
Lojistas
A redução do IOF significou uma queda de 0,4 ponto percentual nos financiamentos. ‘É pouco mas o caminho está certo e vamos desenvolver um marketing para os lojistas incrementarem vendas, disse o diretor de uma financeria (AE)
Milho/atacado
O indicador de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 12,34/saca (+0,82%). Em dólar, US$ 6,18/saca, estável. O valor a prazo ficou em R$ 12,50/saca, estável. Veja preço ao produtor, nos quadros abaixo.
Turquino
Hoje, às 19 horas, no Village, em Cambé, o Leilão 10 Marcas, organizado pelo pecuarista José Moacir Turquino e o filho Alexandre. É um evento de negócios que se transforma no encontro dos grandes nomes da pecuária nacional.
Turquino 2
Momento é bom para negócios. E a pecuária está otimista, quase vencendo uma batalha contra a aftosa que vai lhe abrir as portas da União Européia. Turquino fala com entusiasmo desse mercado. E do padrão da carne brasileira. (Pág. 5)

mockup