Oswaldo Petrin
Bolsas prevêem impasse
-O governo, com o estado falido, está direcionando a comercialização das commodities agrícolas para o sistema de bolsa, o que é bom. Mas este não é o sentimento das próprias bolsas. O setor acha, por exemplo, que se tudo for transferido para o mercado, de repente não há como administrar estoques de alimentos, e o país pode ser surpreendido com períodos de escassez, como acontece atualmente com o milho.
-É preciso manter estoques. Limitados. Para serem liberados com bom-senso e na hora certa. É por isso que são estoques reguladores e estratégicos.
-Trabalhar com mercado a termo e derivativos é um avanço rumo à modernidade. A Cédula de Produto Rural (CPR), proposta pelo ministro da Agricultura é um instrumento de captação de recursos.
-Só que este sistema, adotado com sucesso em países desenvolvidos, não pode ser tão linear e simples. Tem que estar acoplado a mecanismos de garantia como seguro agrícola. Não seguro de preço, que o sistema de vendas futuras por sí só oferece, mas seguro da safra, coisa que o Brasil não conseguiu implantar.
-Quem pensa assim é nada mais nada menos que o presidente da Associação Brasileira de Bolsas de Cereais Mercadorias, César Henrique Bernardes da Costa, em entrevista a esta coluna. A entidade representa 27 bolsas, que fazem a comercialização dos estoques do governo.
César defende o papel da Conab. Produção e abastecimento não podem prescindir de um órgão regulador. E a permanência aprimorada de instrumentos como contrato de opção de vendas e prêmio de escoamento.
E entende como avanço também as vendas antecipadas, via bolsa. Mas critica o fato do governo importar modelos que só interessa para ele, para resolver os seus problemas de falta de recursos. Por exemplo, a captação de recursos no mercado via CPR é uma opção legítima, mas tem que haver uma estrutura. O seguro da safra e os subsídios agrícolas funcionam como suporte a esse sistema. No Brasil nem há subsídio, nem seguro de safra. Só os instrumento de equalização também não são suficientes.
Não há mercado sem seguro eficiente. O governo quer a venda antecipada mas não oferece situações que outras economias têm. O presidente da Associação Brasileira de Bolsas de Mercadorias, considera preocupante esta tendência de se transferir tudo para o mercado. Quem vai sair prejudicado - segundo ele muito prejudicado - será a produção nacional que de uma hora para outra vai perceber que ficou sem segurança e à mercê de um jogo de mercado que, às vezes, não domina.
Na verdade, as bolsas temem que a saída do governo da comercialização implique na redução dos estoques e dos leilões oficiais. E esta preocupação também procede.
Milho em alta
O indicador de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 12,08/saca (+1,34%). Em dólar, US$ 6,14/saca (+0,82%). O valor a prazo ficou em R$ 12,40/saca (+1,64%). Veja nos quadros preços ao produtor no Paraná.
Preocupa
A seca atrapalha o término do plantio do milho. O que foi plantado não está se desenvolvendo. Esse cenário deve provocar perda de produtividade e atraso na colheita (José Pitoli, de Cornélio Procópio, à Agência Folha, ontem).
Importado
Do mesmo Pitolli: A visível falta de produto já está fazendo as tradings se deslocarem para a Argentina em busca de milho. O problema é que pelos preços argentinos (US$ 115/t) a saca chegará ao mercado R$ 13,70/saca. Inviável.
Ibrahim ameaça
Ibrahim Fayad, o homem das cooperativas do Paraná no governo, fala em reduzir a cota de importação e facilitar a entrada de milho de outros Países. Os produtores vão adorar. Ele disse isto em Curitiba (veja nesta página).
Renovação de frota
A Anfavea, entidade que congrega a indústria automotiva, vai preparar um balanço do setor de máquinas e equipamentos agrícolas brasileiro. Objetivo: detectar o quanto a frota nacional está envelhecida.





