O Cade nada pode fazer
-Nestes dias (seria ontem mas foi adiado) em que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) começa, inutilmente, a apreciar aquisições de pequenas redes de supermercados por gigantes do ramo, vale lembrar a experiência da indústria paranaense Alimentos Pinduca.
-Está acontecendo o seguinte: em todo o País, fornecedores e parceiros comerciais não disfarçam sua preocupação com os oligopólios. Só que a Pinduca está se aproximando do fiel empório ou armazém de balcão, de tradicional e recíproca convivência comercial. Mas, como o aumento da capilaridade na distribuição e entrega implica em aumento de custos, a Pinduca amplia sua linha de produtos e oferece um universo de 40 ou mais artigos, em mais de 120 itens. Sem se distanciar das grandes redes, está atendendo ao pequeno varejo e acaba se aproximando da ponta do consumo. Inteligente, usa as armas do mercado.
-Voltando à ação do Cade, não se pode esperar muita coisa. Primeiro porque o órgão é impotente para monitorar negócios da dimensão de uma fusão das duas maiores marcas de cerveja, por exemplo. Tanto quanto de transições envolvendo o Carrefour. O Cade sequer interveio nos reajustes (aumentos reais) da vacina contra aftosa e dos defensivos agrícolas no começo do ano. Em segundo lugar porque há outras variáveis a ser consideradas nessas fusões que transcendem a simples preocupação com trustes ou monopólios de compra. Ou oligopsônios.
-Além disso, falta clareza, do ponto de vista do consumidor (do ponto de vista da indústria a preocupação procede), para julgar se realmente esse tipo de transição implica, necessariamente, em exclusivismos. Hoje as vendas de produtos não perecíveis estão tão abertas - vão de lojas de conveniências em postos de gasolina a refrigerantes em farmácias - que ninguém detém a posse de coisa alguma. Mais do que isso, as compras via Internet podem mudar o conceito de comércio, com procedimentos que se aproximam mais da prestação de serviços do que qualquer outra qualificação.
-Para o consumidor o que mais apavora é o poder exercido pelo monopólio em relação a preços. Mas ninguém passa indiferente pela calçada do mercadinho do bairro para pagar mais caro no grande hipermercado, ainda que isto lhe proporcione momentos de lazer e entretenimento.
-O fato é que emergem novos paradigmas nas relações entre varejo e consumo, entre hipermercados e indivíduos. Isso, certamente não será ignorado pelo Cade, ainda que o órgão antitruste queira mover quaisquer objeções à concentração da posse do mercado varejista, como mostra a predestinação histórica do setor, expressa na compra do Pão de Açúcar e outros.
-Que ninguém se iluda, portanto, que essas aquisições devem continuar, apesar da fiscalização e boa intenção do Cade. E indiferença do consumidor.



Onde comprar
No submundo do baixo consumo - Plano Real sofrendo de síndrome crepuscular - o que menos importa é o local das compras. E, nesta altura, apesar do iminente monopólio do varejo, não faltará opções.
Varejo infiel
Por outro lado, há estudos de consultoria em marketing apontando que o comportamento do consumo está mudando; que o consumidor, hoje, é mais cioso dos seus direitos e não hesita em trocar o local das compras ou mesmo a marca.
E anarquista
Finalmente, pela sua característica meio ‘anarquista graças a Deus’, o varejo não se deixa abater pelo fenômeno das últimas semanas em que grandes redes abocanharam as menores - e menos competitivas - como acaba de ocorrer no Paraná, com a compra da rede Muffatão.
‘‘Dez Marcas’’
Tudo está sendo preparado para que o 5º Leilão Dez Marcas (19/10/terça-feira, 19 horas, no Village) seja um grande evento de negócios. Em visita à Redação, dias atrás, José M. Turquino mostrou dados sobre o nível dos animais e origem.
Leilão do ano
Serão ofertadas 1,5 mil cabeças. Mas o importante é a qualidade, segundo Turquino. Ele acha que vai quebrar o recorde anterior. Há dois anos o Leilão Dez Marcas bate o recorde nacional dos leilões de gado de corte.

mockup