-O Ministério da Agricultura está mudando os critérios de marcação de gado. Um dos objetivos é evitar que a marca, cuja inserção em geral ocorre em partes nobres do animal, estrague o couro. A medida vai conseguir padronizar o critério e torná-lo menos cruel, mas certamente não vai evitar o desperdício do couro. Este continua ocorrendo pelos ataques de parasitas. No Brasil, em muitas propriedades, não se combate nem berne nem carrapato. Aliás os danos causados pela inserção das marcas representam menos de 10% dos danos causados por parasitas. O que naturalmente já seria suficiente para justificar mudanças.
-As estatísticas pouco conhecidas, revelando o grau de relaxo do proprietário, apontam prejuízos altos, como os dados divulgados, dias atrás, pelo Estado de Mato Grosso do Sul. Os curtumes de MS, por exemplo, deixaram de faturar, ano passado, cerca de R$ 72 milhões por danos causados no couro bovino. Para efeito de cálculo foi considerado o valor médio de R$ 40 por peça, segundo o Senai. Dos prejuízos, 40% são consequência de carrapatos e vermes; 10% devido à marcações erradas nos animais; 5% por causa de arames farpados e o restante em função de outras escoriações, inclusive torturas durante o manejo.
-Por causa dessas perdas, a delegacia do Ministério da Agricultura e Abastecimento de Campo Grande informou à ‘‘Agência Estado’’ que está ampliando a campanha ‘‘Ordem e Progresso’’, destinada à valorização do produto. Lucimar Malaquias, técnico do ministério, diz que ‘‘a qualidade do couro bovino no Brasil é muito ruim’’. Há que ter uma campanha de conscientização. Ele explica que a divulgação da campanha será baseada em orientar os pecuaristas sobre as marcações em locais corretos do animal e também na legalização da marca junto ao ministério. Melhor seria se houvesse uma legislação - e que fosse cumprida - impondo melhor controle sanitário (higiênico) do gado.
-O gerente industrial do Curtume Campo Grande, Ildomar Casper, informa que existem sete curtumes em MS. Ele compara as perdas do Brasil com as dos EUA, onde 70% do couro é de primeira linha. Segundo Casper, ao repórter Moacyr Castro, se o Brasil tivesse a mesma proporção da qualidade norte-americana, os curtumes do Estado poderiam elevar o preço de venda de cada peça de R$ 49,50 para R$ 58,50. ‘‘No entanto, só 10% de couro processado em nossa empresa é considerado de primeira linha; a produção maior fica por conta dos couros de terceira linha.’’
-De acordo com o diretor regional do Senai em MS, Ferdinando José Urizar, para melhorar a qualidade do couro bovino é preciso um incentivo para que o pecuarista cuide melhor do rebanho. Uma opção é o valor pago ser maior para as peles de melhor tratamento, sugere. Outro fator apontado por ele é que apenas 5% do couro processado fica dentro do Estado em forma de laços e outros subprodutos, enquanto 95% da produção segue in natura para São Paulo e Rio Grande do Sul.Preços

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