Oswaldo Petrin
Coamo inova no mercado
-Os modelos de comercialização que contavam com aporte de recursos oficiais através de operações como AGF ou EGF e EGF-COV, com opção de vendas, se esgotaram uns três anos atrás sem chance de retorno. As cooperativas adotaram as vendas antecipadas como alternativa para conferir liquidez. A venda de soja verde, como se convencionou chamar, virou praxe. O agricultor contrata a venda da soja no início da safra, recebe ao câmbio atual e entrega o produto em abril, na época normal de comercialização.
-Não é a única opção, mas é a mais preferida, para quem não quer depender apenas do mercado físico, na temporada tradicional de comercialização, após a colheita.
-Mas a Coamo está introduzindo, nesta safra, uma nova modalidade através da operação swap, com a troca de índices, de forma que o associado fique totalmente coberto e possa dispor de mecanismos que reduzem os custos financeiros. Por esse sistema ele ainda pode travar a dívida com o preço do dólar conhecido, ficando protegido quanto à eventuais episódios que ocorram tanto na política cambial quanto da variável macroeconômica e na política, como as mudanças bruscas que golpeiam os produtores.
-Objetivo da cooperativa é garantir o associado dos imprevistos da economia e do mercado. Garantir e oferecer liquidez, resume o presidente da Coamo, José Aroldo Galassini.
-É interessante buscar alguns instrumentos para o cooperado ficar protegido. ele está comprando insumos com prazo fixado. Mas a safra ele quer vender em dolar.
-A operação swap É uma operação casada. Ele vende parte da soja no início da safra e recebe dólares, que depois negocia esses dólares com a dívida referente da compra de insumos.
-Como o dólar está livre, pode ocorrer que na compra de insumos ele sofra variações para cima e, diferentemente, na comercialização, pode ser que ocorra oferta de moeda e o preço ceda. O custo da operação se torna alto. Aí então entramos no mercado e travamos a operação, exemplifica o Alcir José Goldoni, gerente de comercialização.
-Na prática, o agricultor faz um contrato da sua safra com a cooperativa, vendendo a safra para entragar lá na frente, em abril. Primeiro ele tem que ter o direito de receber dólares; tem que ter feito uma venda da soja no mercado futuro. Faz a venda para entrega e recebimento futuro. Em cima desses direitos ele entra ofertando a venda desses dólares para o mercado. Aí, hipótese, ele tem oferta de dólar a R$ 2,20, em abril. Há uma operação casada, como não poderia deixar de ser, com a venda programada para a mesma data do recebimento.
-Perguntado sobre o incentivo que o governo dá CPR nas bolsas, Galassini disse que o agricultor quer uma operação em dólar, como se faz na bolsa, mas não vai à bolsa. Ele também disse que o valor bruto das operações aparentemente é bom mas quando voce vê os números líquidos percebe que caiu bastante. Outra observação: o produto é vendido rápido, mas se o vendedor quiser levantar o dinheiro no mesmo dia fica difícil. Já as cooperativas têm essa condição.
-O presidente da maior cooperativa singular do País espera fechar o ano com a mesma performance do exercício anterior, o que significa que a Coamo continuará liderando o ranking. Ela aumentou o recebimento e as vendas em volume, mas a receita é menor. Esse fenômeno deve ocorrer com todas as cooperativas e tradings em face da queda do preço da soja, que chegou aos níveis mais baixos dos últimos 17 anos.
Coamo/custo
Nos cálculos da Coamo o custo de produção da soja teve aumento médio de 22%. Alguns fertilizantes aumentaram mais. Tem setor que importa até 70% da matéria-prima, em dólar, lembra Galassini. Algumas empresas que tentaram vender ao dólar cheio.
Galassini
As altas neutralizaram o diferencial vantajoso do ajuste cambial em janeiro. Além disso, os preços internacionais caíram muito. Por esta razão hoje não se administra em função do lucro, mas em cima da redução de custos.
Galassini/ajuste
A queda de preço no mercado internacional foi brutal. Aos preços de 96/97 estaríamos vendendo soja a R$ 25,00/30,00/saca. Mas, sem o ajuste cambial, a soja estaria valendo bem menos. Assim foram mantidos os R$ 18.00/19,00.
Pronaf/Pratini
Pequenos produtores das regiões oeste e sudoeste do Rio Grande do Sul e centro e oeste de Santa Catarina, que tiveram problema com a seca, vão poder prorrogar o pagamento da parcela de crédito de investimento contratado através do Pronaf.
Pronaf/Paraná
O anúncio foi feito ontem à tarde pelo ministro Pratini de Moraes que vinha negociando a prorrogação dos financiamentos com a área econômica do governo. É possível que nos próximos dias também os paranaenses venham a ser beneficiados.
Resolução/Fraga
A medida consta de resolução do Banco Central, assinada por Armínio Fraga. A assessoria do ministro Pratini informou a este jornal ontem à tarde que os débitos de custeio dos agricultores familiares já haviam sido prorrogados.





