Trégua comercial
-Tentamos mostrar, dias atrás, nesta coluna, que o histórico e os dados da balança comercial nas relações entre Brasil e Argentina, correm no individual e transcedem às divergências entre os governos dos dois países, ambos em campanha por popularidade e, portanto, pautando decisões em cima de postura política.
-O que ocorre entre os dois países na área agroindustrial, tendo como palco o Mercosul, ilustra bem a equidistância. Enquanto os governos divergem, os empresários negociam. Entretanto, convenhamos que há que haver o acordo macroeconômico, ainda que setorialmente as relações comerciais acontecem mesmo que aos trancos e barrancos.
-E não prescindindo do acordo macro, não se pode ignorar totalmente o que ocorre na política. Conforme a Agência Estado, ontem, o acordo alcançado há cerca de dez dias sobre as exportações brasileiras de calçados e papel atenua apenas uma parte do conflito comercial entre o Brasil e a Argentina, que ainda enfrentam problemas nos setores de têxteis, siderúrgico, automotivo e de laticínios, que representam 90% da pauta de exportações argentinas. Tanto calçados como papel não representam sequer 3% do comércio bilateral, razão pela qual fica difícil acreditar que a ‘‘briga comercial’’ entre os dois países acabou ou até mesmo esfriou.
-‘‘Se esses dois setores foram suficientes para desatar uma das maiores crises da história do Mercosul, o que podemos esperar daquelas áreas que até agora não ficaram resolvidas?’’, indagam alguns analistas do setor de comércio exterior. Esses especialistas acreditam que o conflito não acabou, já que os problemas nos outros setores são ainda mais preocupantes.
-O próprio ministro Luis Felipe Lampreia reconheceu que essas questões são mesmo ‘‘espinhosas’’, embora o Brasil confie em uma solução, pelo menos no setor automotivo. ‘‘Vai ter de haver uma solução até dezembro’’, disse hoje o ministro na sua rápida passagem por São Paulo. Os regimes especiais automotivos que vigoram hoje no Brasil e na Argeirtna terão de mudar radicalmente e adequar-se ao que foi acertado na Organização Mundial do Comércio (OMC).
-Na área têxtil, o problema também é sério, embora o governo brasileiro confie em uma vitória sobre a Argentina na OMC. ‘‘Temos plena certeza de que vamos conseguir derrubar os argumentos da Argentina e, no máximo, até o dia 18 o Órgão de Vigilância e Monitoramento de Têxteis da OMC deverá revogar a resolução que limita as exportações de têxteis brasileiros’’, acrescentou o ministro.
-Lampreia explicou que a Argentina não tem fundamentos suficientes para aplicar salvaguardas permitidas pela OMC. Os argentinos, entretanto, vão defender sua posição, até porque não reduziram a quota do País, mas apenas a limitaram ao volume exportado pelo Brasil entre maio de 1998 e abril de 1999
-Já na área siderúrgica a Argentina aplicou medidas antidumping para produtos laminados a quente, usados na fabricação de carros. Três siderúrgicas brasileiras, a CSN, Cosipa e Usiminas, estão tentando chegar a um acordo com a argentina Siderar para suspender a aplicação dessa medida, que deverá ser adotada nos próximos 30 dias. Espera-se para esta semana, ou no máximo para a próxima, um acordo que fixaria um preço mínimo para o aço brasileiro.
-No final do mês passado, a Comissão Nacional de Comércio Exterior da Argentina (CNCE) informou que a importação de laminados a quente do Brasil estava prejudicando a indústria local, razão pela qual o governo argentino estava estudando o percentual de proteção que a Siderar precisaria para compensar as ‘‘perdas’’ provocadas pela ‘‘prática desleal de comércio’’ (AE).



Coamo
A Coamo inicia um novo sistema de comercialização da soja. O presidente da maior cooperativa singular do País, José Aroldo Galassini, falou ontem para esta coluna. Muitas novidades. E a permanencia, este ano, no ranking das maiores empresas privadas do País e a maior do Paraná. Veja amanhã.
Boi SP
O preço à vista do boi gordo, em SP, ficou ontem em R$ 38,85/arroba, queda de 1,07%. Em dólar, a cotação fechou em US$ 19,90, queda de 2,59%. A prazo, o preço ficou em R$ 39,52, queda de 1,10%. Os dados são da Esalq/USP. Veja preço no PR.
Boi estável
Analistas da FNP acham que os preços devam permanecer estáveis nos atuais patamares até o final da semana. Em seguida é muito provável que voltem a subir porque as ofertas de boi vão continuar apertadas.
Milho/dólar
O milho tem alta em dólar. O indicador de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 11,65/saca, alta de 2,28%. Em dólar, ficou em US$ 5,97/saca, alta de 0,84%. O valor a prazo ficou em R$ 12,00/saca, alta de 1,69%.
Milho/interior
As altas no mercado de lotes, não estão sendo repassadas imediatamente no preço ao produtor, no interior do Paraná. Mas as notícias sobre falta de estoque tendem a repercutir no mercado, prevêem analistas. Veja preço ao produtor nos quadros abaixo.

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