Oswaldo Petrin
-O Sul não terá a parte do dinheiro da venda da Vale do Rio Doce que o governo quer destinar à agricultura. Se depender do ministro Arlindo Porto, a fatia da agricultura - do resultado da venda da Vale - será destinada ao Nordeste, em projeto de fruticultura. Pelo menos foi o que anunciou ontem, em palestra para a Câmara de Comércio e Indústria do Japão no Brasil. Segundo ele, o projeto de fruticultura irrigada em 400 mil hectares na Região Nordeste vai utilizar recursos provenientes da privatização da Companhia Vale. O ministro não precisou quanto estará disponível para financiamento, mas deve ser uma quantia substanciosa.
-Informou também sobre a terceira etapa do Prodecer, o Programa de Desenvolvimento do Cerrado, que abrangerá 70 mil hectares no Piauí, Pará e Rondônia. Nesta terceira etapa serão investidos US$ 850 milhões. Mas estes valores vêm do Tesouro, não va Vale.
-A Bancada Ruralista na Câmara promete questionar. Os deputados querem conhecer os projetos a serem financiados com essa nova fonte de recursos, o dinheiro da venda da Vale, cuja decisão de privatizar defenderam. A idéia inicial é que o dinheiro seria pulverizado para investimentos fixos, o item mais carente, e Pronaf. Os três Estados do Sul não foram os únicos preteridos: São Paulo também se queixa, segundo o deputado Marquezelli. Mas o governo ainda não se pronunciou em definitivo e qualquer reação neste momento pode ser precipitada.
-O cheque da Vale foi o assunto do dia. A empresa rendeu um dinheirão de fazer inveja. Chamou a atenção ontem o fato de que o cheque recebido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em pagamento pelas ações da Vale do Rio Doce no valor de R$ 3.199.974.496,00 é o mais alto já emitido no País, conforme a Agência Estado. O cheque agora vai ser compensado no Banco do Brasil. O presidente do BNDES, Luis Carlos Mendonça de Barros, disse que metade do valor do cheque (R$ 1.599.987.248,00), foi entregue pelo BNDES ao Tesouro Nacional. A outra metade, no mesmo valor, o BNDES depositou no extra-mercado do Banco do Brasil. O extra-mercado é um fundo de aplicações de empresas estatais federais.
-Para o governo, politicamente, o aspecto mais importante do processo de privatização da Vale não está tanto na venda da estatal, e sim no fato de que o leilão sinaliza para todos os investidores internacionais, acredita o presidente do BNDES. Ele fez a afirmação em almoço com jornalistas do qual participou também o ministro do Planejamento, Antonio Kandir. Mendonça de Barros observou que os investidores no mundo inteiro estavam sabendo do desgaste a que estava submetido o governo brasileiro com as contestações judiciais à venda da Vale, mas declarou-se convencido de que a realização da venda da empresa significa uma demonstração aos investidores internacionais do comprometimento do Brasil com a reforma do Estado. O importante é a sinalização, disse.Soja RS





