Oswaldo Petrin




Polêmica e desinformação
Oswaldo Petrin
A soja transgênica continua alimentando polêmica. E dando carona para muita gente que deseja sua inserção ou reinserção na mídia. Ontem, a Procuradoria Geral da República no Rio Grande do Sul enviou alerta aos prefeitos de Jóia, Cruz Alta e Redentora, informando que o incentivo ao plantio de soja contraria a legislação. E recomendando que sejam revogadas leis municipais sobre o assunto. É que, pressionados por produtores - e diante da proibição estadual - municípios criaram leis locais autorizado o planto de plantas transgênicas. Mas esbarraram em liminar contra o plantio, em âmbito nacional.
Jóia e Cruz Alta têm leis que permitem o cultivo de plantas geneticamente modificadas em seu território, enquanto Redentora teve projeto idêntico aprovado pela Câmara de Vereadores esta semana, segundo a Agência Estado. Segundo o procurador da República, Osmar Veronese, a ordem judicial foi expedida pela Justiça Federal de Brasília, que proíbe o plantio e comercialização do produto.
No caso de Cruz Alta, a polêmica perde um pouco o ímpeto político e ganha outro nível: É que o prefeito Luiz Pedro Bonetti (PDT) fica à vontade para discutir o assunto. Ele foi pesquisador de trigo e soja na Fecotrigo, por mais de 20 anos.
Conversamos ontem, por telefone, com o prefeito Bonetti. Ele acha que há uma grande confusão e até admite a existência de componente ideológico permeando as discussões sobre o assunto, com muita desinformação, como sempre quando o tema é técnico. ‘‘Além disso, estão criando até alguns neologismos em cima do assunto’’, lamenta. Mas acha tudo muito positivo porque assim a sociedade participa de uma discussão que poderia ficar apenas entre a comunidade técnica.
Para Bonetti, a metodologia utilizada no processo de melhoramento de plantas é avanço científico natural. A recombinação de gens, no processo convencional, por exemplo, é responsável por grandes benefícios. Mas não deixa de ser uma manipulação de gens. Já a transgenia também é a recombinação, só que direcionada para objetivos específicos, visando apenas características ou atributos genéticos que se deseja incorporar numa planta.
‘‘Nosso posicionamento é em defesa da metodologia científica, cujo avanço converta benefícios para a sociedade. A transgenia ganha tempo ao fazer em dois ou três anos o que pelo método convencional se gasta de 13 a 14 anos. É, portanto, um grande avanço técnico e econômico proporcionado pela biotecnologia.
‘‘A biotecnologia foi e está sendo usada na pesquisa de medicamentos e ninguém discute. A multiplicação da insulina para tratamento de diabéticos, é um exemplo. Isto é bom’’, afirma.
O prefeito de Cruz alta defende sua posição afirmando que está autorizando plantios do que foi permitido pela Comissão Técnica Nacional de Biosegurança (CTNBio) e que, no caso da soja, tem clareza de que há uma liminar suspendendo a autorização de plantios. É assim que pretende responder ao alerta da Justiça. Sem polemizar, mas sem contrariar uma opinião formada com base científica, em toda uma carreira de melhorista de plantas e geneticista.
De acordo com a Procuradoria Geral da República, os alimentos geneticamente modificados estão provocando uma ‘‘calorosa discussão científica’’ devido à ‘‘insuficiência de testes’’ em relação às consequências de sua manipulação no meio ambiente e de seu consumo pelos seres vivos.



Frango/margem
Desempenho do setor avícola preocupa os produtores. Os preços estão em queda e nem a alta da arroba de boi consegue frear essa tendência. Ontem, o quilo de frango na granja estava em R$ 0,73, abaixo dos R$ 0,92 de fevereiro.
Milho e farelo
A situação de liquidez do setor se complica porque os preços do frango
caíram (21% desde fevereiro), mas os custos, não. Desde o ajuste cambial, o milho subiu 18% no atacado e o farelo de soja 67% mais caro. (Vaivém das commodities).
Perdendo mercado
Os produtores argentinos não devem estar contentes com o próprio governo, que impôs barreiras ao Brasil. O troco brasileiro está custando caro, já que o arroz argentino continua na fronteira e o uruguaio ganha mercado no Brasil.
Boi SP
O preço à vista do boi gordo em SP ficou ontem em R$ 39,87/arroba (+0,46%). Em dólar, US$ 20,60 (+1,19%). A prazo, o preço ficou em R$ 39,96 (+0,50%). Os dados são da Esalq/USP e se referem à médias. Houve negócios a R$ 40,50 na região de Presidente Prudente. Veja também preços no Paraná.
Leite/entressafra
A produção de leite na entressafra do próximo ano poderá ser maior do que na atual. Segundo a Esalq, na maioria dos Estados os produtores estão sendo mais bem remunerados, devido à menor importação, e devem investir mais no rebanho.
Leite/Preços
Segundo o Centro de Estudos da Esalq, os preços médios do leite aumentaram 16,90%, em reais, de janeiro a agosto deste ano no Brasil. Em Goiás, ocorreram os maiores aumentos, com o produto subindo 27,%. No Paraná, 19,5%.

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