-O governo negou ontem que esteja ensaiando a taxação das exportações de soja em grão. Na véspera, quarta-feira, o secretário da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Fábrio Trigueirinho, afirmara a este jornal que as especulações em torno do assunto não se confirmariam. No entanto, indústrias e governo têm fortes argumentos em favor de eventual medida que se queira adotar para estancar a exportação. Ou, pelo menos reduzir seu impacto.
-Do lado do interesse do produtor, surtiu efeito a reação da Faep, que é contra a medida. Para analistas do mercado, o governo apenas adiou a medida, diante da imediata repercussão dos produtores, via Faep.
-Por várias razões, a possibilidade de taxação não está afastada. A crescente exportação da soja a granel, é um problema econômico e técnico que transcede o âmbito das indústrias. O crescimento foi rápido e o governo pode alegar, que uma economia como a nossa não pode se dar ao desperdício de abrir mão do valor agregado de sua agroindústria. É o mínimo que pode alegar. Se usar este argumento, não estará fugindo da realidade. Exportar soja, ou, qualquer outro produto in natural, é exportar emprego para a UE.
-As exportações a granel devem atingir 8 milhões de toneladas, um número alto se comparado com as 3,6 milhões de t do ano passado. A safra aumentou de mais ou menos 24 milhões de t para 26,7 milhões de t, o que não justifica, além de se tratar de aumento desproporcional. O presidente da Abiove, César Borges de Sousa, previu no ano passado, que em 97 as exportações de grãos deveriam aumentar, por razões apontadas na oportunidade como a alíquota do ICMS nas operações interestaduais e mais tarde a própria desoneração do ICMS. Acertou.
-Contundo, o governo não tomou medidas preventivas e agora terá de intervir apesar de todas as impliações inerentes a um período de plena comercialização. A leitura que Chicago faz do aumento brutal das exportações de soja em grão é que o Brasil vai taxar a soja com base em dados do Decex: em 15 dias o registro de contratos acusou volume de 800 mil t. Os números fariam o governo agir. Esta premissa, aliás, agitou o setor no início das semana.
-Portanto, apesar das declarações, ontem, do coordenador de Política Agrícola do Ministério das Fazendas, Evandro Fazendeiro, é possível que medidas de compensação sejam adotadas ainda que disfarçadas através de outros mecanismos. A idéia da própria indústria de criar um fundo que seria revertido em benefício do produtor (na forma de pesquisa e assistência técnica para aumentar a produtiviade) é uma opção para compensar eventual fixação de taxas ou algo equivalente. Exemplo: de onde viria o dinheiro para o fundo? da taxa sobre exportação, naturalmente.Cesta/Fipe

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