Oswaldo Petrin
O Amaral na APPC?
-A escolha do embaixador Sérgio Amaral, ex-porta voz do presidente FHC, para comandar a Associação dos Países Produtores de Café (APPC) causou irritação junto a lideranças cafeeiras. A entidade reúne exatos 40 países e foi criada para formular toda a política de produção e comercialização do produto, mas a presença do insosso Amaral não só causou estranheza, como incertezas quanto ao futuro da associação.
-Amaral não é do ramo, não entende absolutamente nada de cafeicultura e se mostrou pretensioso ao achar que pode comandar o setor em âmbito internacional, criticou um dos líderes dos cafeicultores do Paraná. Irritado, ele diz que Amaral contou com o apoio de FHC para ascender ao cargo e lembra que enquanto os produtores forem subservientes e capachos de corredor de palácio jamais terão uma política decente.
-Outro produtor ouvido pela Folha seguiu a mesma linha: Como podem eleger uma pessoa que nem café na xícara conhece? Que realidade insana pe esta? Por se tratar de uma pessoa indicada pelo Brasil, é evidente que as chances de ser o escolhido eram enormes, pelo peso de nosso País no cenário da cafeicultura mundial. Mas que insensatez!. Para esta liderança, Sérgio Amaral certamente se sentiu motivado a assumir a APPC porque a entidade já era dirigida por outro embaixador, Rubens Barbosa. Mas o argumento é que Barbosa, ao contrário de Amaral, participou ativamente da criação da entidade, ajudou a definir sua linha de ação e estava totalmente comprometido com seus objetivos, até porque ajudou a traçá-los. Qual a proposta de Amaral? Nenhuma. Isso é muito triste para toda a cafeicultura, conclui.
CPMF Pior que Amaral na APPC só mesmo a tentativa de perenizar a CPMF. Ontem, um assessor do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Moreira Ferreira, informou a esta coluna que o governo tem um esquema na para manter a CPMF como tributo permanente. Isto com relação ao texto do futuro sistema tributário.
-Ontem, ainda, pela enésima vez, representantes da CNI e da Ação Empresarial tentavam convencer a assessores de Pedro Malan que o tributo é cumulativo e prejudicial à produção, roubando-lhe a competitividade. Precisa?
-Vale observar: a batalha contra a manutenção da CPMF não é dos empresários. Indústria e comércio repassam tudo nos preços. Quem vai pagar mesmo, no final das contas, é o consumidor.
-Pena que a reforma esbarra nessa famigerada sigla. O Brasil nunca esteve tão perto de reformar seu sistema tributário, como disse Moreira Ferreira. Ontem, aliás a CNI apresentou a nova edição da cartilha da reforma tributária.
-Uma fonte da CNI teme que setores do governo e aliados do governo no legislativo aprontem outra: podem ameaçar adiar a reforma tributária, que seria um desastre. Em troca do não adiamento vão empurrar a CPMF à sociedade brasileira. Garganta abaixo.
-Com 34 páginas, incluindo um glossário sobre os termos mais utilizados nessa área, a cartilha afirma que o objetivo da Reforma Tributária é a busca da eficiência. Desonerando exportações e investimentos, fazendo um sistema mais simples e racional, dando igualdade de condições de competição com importados e reduzindo o peso dos impostos sobre os juros, a reforma irá tornar os produtos brasileiros mais competitivos.
Boi a R$ 40,00
A arroba de boi gordo voltou a subir ontem, atingindo R$ 40 no Estado de
São Paulo. Os preços estão subindo tão rápido que o mercado perdeu o parâmetro, diz Danilo Fiorini Jr., consultor da FNP Consultoria & Comércio.
Em ascensão
Fiorini diz que é difícil prever o comportamento do mercado a partir de
agoram, mas, devido ao quadro geral de escassez pode haver novas altas. Não afasta, contudo, uma acalmada no próximo final de semana.
Menos oferta
O mercado deve conviver nos próximos dois meses com uma redução de 15% a 20% na oferta de carne bovina, em relação ao mesmo período do ano passado. E a queda de oferta de carne é um dos principais motivos da alta dos preços.
Carne/Fipe
A carne bovina pode ser um fator de pressão dos preços nesta última semana de setembro e início de outubro, admite a Fundação de Estudos e Pesquisas
Econômicas (Fipe) da USP, com base na alta dos preços do boi nos últimos dias.
Em compensação...
As altas no preço do boi continuam, mas, em compensação, a Fipe prevê recuo nos preços do feijão na próxima semana. Frangos e suínos não devem pressionar o IPC de setembro. Fora do grupo alimentos, a pressão será dos vestuários.
Sazonal
A alta da inflação em setembro é sazonal, segundo Heron do Carmo (AE, segunda-feira), comportamento que é claro nos preços dos alimentos. A expectativa era de queda nesta quadrissemana, mas subiu de 0,28% para 0,47%.





