Oswaldo Petrin
Os dólares do frango
-A Associação Brasileira de Avicultura (UBA) comentou ontem os dados sobre a exportação de carnes, divulgados no último final de semana. Os números sobre o desempenho das exportações de carne bovina serviram também para realçar a importância do setor avícola brasileiro - diz a nota. Enquanto a carne bovina rendeu, de janeiro a agosto, US$ 650 milhões em divisas, no mesmo período a carne de frango alcançou US$ 572 milhões. E a performance no ano, mantidas as atuais projeções para cada segmento, provavelmente irá favorecer a avicultura: a UBA estima que as exportações de carne de frango em 1999 se situarão entre US$ 900 milhões e US$ 1 bi. Já a as exportações de carne bovina deverão ser de US$ 700 milhões.
-As exportações de carne de frango não vêm crescendo apenas em volume físico. Um dos segredos do desempenho do produto avícola no mercado externo é o aumento da rentabilidade por tonelada vendida. As tradicionais vendas de frango inteiro vão sendo aos poucos substituídas pelos cortes especiais, que alcançam preços melhores lá fora. Somente em agosto, por exemplo, os cortes de frango aumentaram em 69,7% a sua participação nas exportações brasileiras.
-A carne de frango continua sendo um dos poucos itens superavitários da pauta brasileira de exportações. O fechamento dos números de agosto apontou um novo recorde nas vendas externas do produto: US$ 92,6 milhões, correspondente a 76,3 mil toneladas. Em comparação com os totais de agosto do ano passado, houve evolução de 45% no volume exportado e de 43% no volume de dólares obtidos. A informação da UBA tem como base os dados da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef).
-A única área em que as vendas de frango brasileiro não tiveram crescimento é a do Mercosul (queda de 10% em agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado). A situação do comércio brasileiro de carne de frango com os países do Mercosul é um dos temas que estão sendo debatidos pelo presidente da UBA, Zoé Silveira DAvila, em Lima, Peru, onde participou do Congresso Latino-Americano de Avicultura.
-Segundo o diretor executivo da Abef, Cláudio Martins, as exportações de agosto trouxeram outra boa notícia: a da recuperação da curva de ligeiro crescimento nas vendas externas de carne de frango, que havia caído em julho, por causa da greve dos caminhoneiros. A previsão é de que até o final do ano o Brasil terá exportado pelo menos 720 mil toneladas de carne de frango, alcançando receita próxima de US$ 1 milhão, número recorde na história da avicultura brasileira.
-O maior mercado importador de carne de frango brasileira continua sendo o Oriente Médio, que em agosto comprou 31,5 mil toneladas. Isso é mais de 146% do que as compras de agosto do ano passado. O segundo maior comprador do Brasil é a Ásia, com 24,6 mil toneladas em agosto (167% mais do que em agosto de 98. Em terceiro lugar estão as importações feitas pelos países europeus (8, mil toneladas). As vendas para os países do Mercosul vêm em quarto lugar, com 4,9 mil toneladas - e aí houve uma queda de 10% em relação às vendas brasileiras no mesmo período do ano passado.
-O volume de mercadoria e os valores das exportações de frango têm sido maiores. E as projeções da avicultura são mais ambiciosas. Um assessor da Unão Brasileira de Avicultura observa: considerando o porte de um frango e o de um boi, dá para entender que o pessoal da avicultura esteja orgulhoso desse desempenho, que mantém o Brasil como segundo maior produtor e exportador de frango.
Milho/alta
O preço do milho começou a semana em alta, no atacado. O indicador de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 11,26/saca (+0,54%). Em dólar, a
cotação ficou em US$ 5,85/saca, estável. Valor a prazo: R$ 11,60/saca.
Milho/alta 2
O mercado atacadista prevê novas altas para o mês de outubro, podendo crescer mais uns 20% em cima dos R$ 11,26 cotados ontem. Em dólar deve ultrapassar a previsão de US$ 6/saca (US$ 5,85/sc, ontem). Veja preço ao produtor no PR.
Soja: R$ 20,77
O indicador de Preços da Soja no atacado, ontem, ficou em R$ 20,77/saca (+0,63%). Em dólar, US$ 10,79/saca (+0,09%). O Indicador é calculado pela Esalq com base nos preços praticados no disponível em cinco praças do Paraná.
Boi: alta em dólar
O preço à vista do boi gordo, em São Paulo, ficou em R$ 38,60/arroba (+3,01%). Em dólar, fechou em US$ 20,05 (+2,93%). A prazo, o preço ficou em R$ 39,25 (+3,75%. Os dados são da Esalq/USP. Atacado de carne em SP prevê novas altas.
Boi reflexos
Nova alta do boi em São Paulo reflete nas demais regiões. Preço paulista é referência. Mesmo não se nivelando aos valores de São Paulo, preço nos demais Estados tendem a acompanhar a alta. Veja também coluna de mercado e quadros.
Estoque baixo
Com o aumento de ontem, que elevou a arroba para R$ 38,50 no Estado de SP, a evolução foi de 4,05% no dia e de 16,67% em 30 dias. Essa alta do boi no pasto deve refletir no mercado varejo, já que o atacado está com estoques baixos.





