Oswaldo Petrin
-Enquanto a Confederação Nacional da Agricultura e outras entidades aumentam a pressão para que renegocie a dívida securitizada (querem o recálculo dos débitos), o governo vai negociando por setores. É tentativa de esfriar qualquer movimento que possa vir a ser alvo de barganha nas próximas etapas da reforma administrativa, através da bancada ruralista. O que o Ministério da Agricultura não consegue para o setor como um todo, o Ministério da Indústria e do Comércio consegue para o café, aos poucos.
-Por exemplo: ontem o Conselho Deliberativo de Política Cafeeira aprovou a renegociação da dívida da produção. A cafeicultura terá 8,5 anos para pagar dívida. Os cerca de US$ 850 milhões que o segmento deve podem ser pagos em sete anos; de carência serão 18 meses.
-As taxas de juros sobre o alongamento da dívida serão definidas pelo
Conselho Monetário Nacional, disse o ministro. Para a promoção do café brasileiro no exterior e no mercado nacional, o governo deverá gastar R$ 20 milhões.
-As novidades foram anunciadas ontem pelo ministro da Indústria e do Comércio, Francisco Dornelles, após reunião em Belo Horizonte. Dornelles informou ainda que o governo vai deixar disponíveis R$ 250 milhões para financiar a colheita.
-O dinheiro só poderá ser tomado em 30 dias. Até lá, integrantes do CDPC acertarão com o Conselho Monetário Nacional as taxas a ser utilizadas. Cada produtor poderá obter R$ 600 por hectare, sendo 60% no ato e 40% um mês depois. Com relação à dívida total, as taxas de juros serão definidas até a próxima reunião do CDPC, no início de julho em Santos.
-Dornelles disse que nesse encontro devem ser definidos os recursos para pré-comercialização da safra 1997/98 e para o custeio da próxima safra, conforme informação do repórter Renato Andrade, da Agência Estado. Na mesma entrevista, o ministro afirmou que não vai haver qualquer subsídio para a indústria do solúvel. O segmento solúvel pediu ao presidente Fernando Henrique Cardoso a liberação de produto dos estoques oficiais ao mesmo preço do mercado internacional de café robusta, atualmente mais baratos. Dornelles disse que está sendo estudada uma medida que satisfaça os industriais e acalme os produtores de conillon, semelhante ao robusta africano.
-O conselheiro Rui Queiroz, da CNA, afirmou que até a próxima reunião do CDPC o assunto deve estar resolvido. Dornelles disse que o governo mantém a meta de elevar em US$ 100 milhões (cerca de 20%) a venda externa de solúvel neste ano.
-De todas as novidades, a mais importante é a abertura de uma linha de crédito de R$ 250 milhões para a colheita de café e o refinanciamento das dívidas do setor. O objetivo, segundo o ministro, é atingir a produção de 30 milhões de sacas até o ano 2000.Anabolizante





