Oswaldo Petrin
Reforço às micro
-O governo vai lançar no início de outubro o Programa de Fortalecimento das Micros, Pequenas e Médias Empresas, cujo principal objetivo será facilitar o acessos dessas empresas ao crédito bancário. Pelo visto, os empresários urbanos não terão que enfrentar a falta de sorte que persegue os mini e microprodutores agrícolas, cujo principal programa de apoio, o Pronaf, não tem recursos suficientes. Para esses tipos de mini ou micro, tão produtivos quanto os urbanos, tudo tem que ser no grito: grito da terra, da reforma e, nos últimos dias, o grito pelo Pronaf e Pronafinho. Convenhamos que a falta de organização e até de documentos do próprio setor são a grande dificuldade. Mas, com recursos, tudo se tornaria mais fácil. Não é caso.
-Isto para não falar do grande e médio produtores, punidos - pelo mesmo método - por serem grandes ou porque são médios.
-A sorte das micro, pequenas e média empresas é bem outra, felizmente. Ainda ontem, fontes do governo informaram que as instituições financeiras oficiais dispõem de R$ 7,5 bilhões a serem emprestados. Embora os recursos não chegam a esses empresários, tais recursos existem.
-Mas, investir nas pequenas empresas urbanas é uma boa idéia. O setdor responsável pela contratação de 60% da mão-de-obra do País com carteira assinada.
-As linhas básicas do Programa foram apresentadas ao presidente Fernando Henrique Cardoso pelo secretário-adjunto da Secretaria Geral da Presidência da República, Marcelo Cordeiro. O programa pretende triplicar o número de operações de crédito a essas empresas - passando dos atuais 350 mil para 1,15 milhão. Pretende também que um contingente de 2,3 milhões de micro, pequenos e médios empresários estejam capacitados a realizar novos empreendimentos que possam ser financiados por bancos públicos federais.
-O maior obstáculo ao sucesso do programa é o elevado nível de endividamento do setor. Um estudo técnico apontou que do total de R$ 100 bilhões de dívidas tributárias e previdenciárias registradas no Cadin, 50% são de
responsabilidade dos micro, pequenos e médios empresários.
-A proposta apresentada ao presidente da República considera a hipótese de renegociação das dívidas deste segmento junto ao sistema financeiro e, em consequência, a retirada do nome das empresas do Cadin. Para as dívidas financeiras, a proposta do Sebrae, se aprovada, garantirá, além da carência de dois anos, a separação da parcela referente ao principal dos encargos.
-Assim, a fatia principal seria corrigida por juros anuais de 12% e a parcela referente aos encargos por uma taxa de juros menor, com o reescalonamento do débito pelo prazo de 60 meses. Somente após o acerto das condições de renegociação das dívidas será possível, na avaliação de fontes do governo, apostar no sucesso do programa.
-Não basta fornecer crédito. É preciso que as empresas estejam em condições de assumir novas dívidas, disse uma fonte que aposta na solução do endividamento. (Veja mais neste caderne de economia: matéria da Agência Estado).
Carne/exporta
A Associação das Indústrias Exportadoras de Carne prevê exportação de carne bovina entre US$ 750 milhões e US$ 800 milhões este ano. As projeções para o ano que vem indicam US$ 1 bilhão, para UE, EUA e Japão, principalmente.
Ano 2000
Esses números serão atingidos em condições atuais. Se o Instituto de Epizootias reconhecer outros Estados como livre de aftosa (hoje só reconhece Rio Grande do Sul e Santa Catarina), a receita será ainda maior no ano 2000.
Qualidade
Vários Estados brasileiros adotaram programa de qualidade, possibilitados pelo cruzamento industrial. Objetivo da maioria desses programas é obter uma carne light, com baixos teores de gordura.
Câmbio
O aumento das exportações pode ser atribuído, em parte, ao ganho de
competitividade da carne, devido à desvalorização do real. Mas não é só
isso. Em 1998, sem desvalorização, as exportações cresceram 32%.
Para EUA
Estados Unidos e Japão estão entre os novos mercados buscados pelo Brasil. O quanto exportar neste momento não é tão importante. O que mais interessa é a abertura desses mercados, diz Luiz C. Oliveira, da Defesa Agropecuária.
Preço
Uma pressão dos preços internos pode, no entanto, frear um pouco a busca do mercado externo. É o que está ocorrendo neste momento, apesar de a demanda estar fraca. Ontem, a arroba de boi foi a R$ 36,5. (Vaivém das commodities)





