Freio-de-mão puxado
- O excesso de consumo foi o receio maior de todos os planos de estabilidade econômica. Mas, agora, após várias experiências, existe massa crítica suficiente para sugerir que, na atual conjuntura, o Plano Real dispensa essa preocupação. O Conselho Regional de Economia (Corecon) faz alguns ‘‘reparos’’ à predisposição do governo de frear o crescimento econômico - através de medidas restritivas ao consumo - para manter a estabilidade. O Corecon coloca como grande obstáculo ao crescimento econômico o gigantesco gasto do governo. O verdadeiro obstáculo é o déficit público. O governo gastou em 1996 cerca de 3,8% do PIB para pagar os juros da dívida pública. Isto representa uma transferência de mais de R$ 30 bilhões da sociedade para o setor público.
- Em nome da estabilidade, sempre que a economia der sinais de que está caminhando para um crescimento superior a 4% ao ano, por exemplo, o governo vai agir para frear essa movimentação. Errado. Crescer com o freio-de-mão puxado não reduz a taxa de desemprego nem pulveriza a riqueza, que é o objetivo-fim da de uma economia estável. Sem emprego não há consumo. Pelas projeções que o Corecon divulgou no começo da semana, o PIB industrial cresce 3,3% em 1997, o saldo da balança comercial será negativo em US$ 7 bilhões e a inflação pela medida oficial do IGP-M ficará em 7%.
- Também os economistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) acreditam que não há necessidade de medidas restritivas para conter o crescimento econômico. Estão certos, afinal nada indica que a economia se encontra numa trajetória semelhante a de dois anos atrás, quando a explosão do consumo passou um susto no governo. Agora não há motivos para preocupações, dizem os economistas.
- Três restrições que impedem um crescimento superior ao atual: baixo volume de investimentos, balança comercial e déficit público. O cenário do Corecon projeta que a taxa de investimentos, em proporção do PIB, chegará a 17% no próximo ano, crescendo apenas 0,5 ponto porcentual em relação a 1996. Segundo especialistas, para chegar a uma evolução do PIB superior a 5% é preciso que a taxa de investimentos supere 20%. Para o governo uma taxa dessas está fora de cogitação.
- O País opta por um crescimento vegetativo. As discussões sobre a necessidade de um ‘‘esfriamento’’ da economia ganharam corpo em novembro com a divulgação do déficit da balança comercial de US$ 1,3 bilhão. Em relação a essa questão, os economistas do Ipea acreditam que o crescimento da exportação deverá ocorrer de forma lenta, refletindo o processo de mudanças estruturais pelo qual vem passando a economia. Esse sentido de urgência faz com que se atribua muito peso à questão cambial, com base na experiência do início dos anos 80, quando o Brasil foi capaz de reverter, num prazo relativamente curto, uma situação adversa na balança comercial.Milho Futuro
- Contratos futuros de milho têm tido movimentos mais fracos do que na sexta-feira, dia da estréia. É normal, uma vez que o produto está com queda de preços. Expectativa, porém, é boa e pode ajudar a elevar o preço do produto.
Em alta
- O indicador de preço de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 7,89/saca (+0,51%). Em dólar, a cotação ficou em US$ 7,84/saca (+0,53%). O valor a prazo foi de R$ 7,92/saca (+0,13%).
Metade
- Cafeicultores do cerrado mineiro, que este ano produziram cerca de 3,2 milhões de sacas, estão preocupados com a safra 97/98. Estudo da Associação dos Produtores do Cerrado diz que apenas 1,5 milhão de sacas deverão ser colhidas.
Arroba
- O preço do boi gordo à vista subiu 0,35% ontem, com a cotação de R$ 22,80/arroba. Em dólar, a alta foi de 0,36% e o preço ficou em US$ 22,07. A prazo, o preço subiu 0,26% e ficou em R$ 23,52. Previsão de queda em janeiro.
Feijão
- Após uma semana de franca queda de preços, o feijão se recupera no mercado atacadista de São Paulo. A saca de 60 quilos do tipo carioquinha subiu para R$ 41,00 na segunda (+9,3%). Mas não vai recuperar preço de duas semanas atrás (R$ 51,00).

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