Dólares na Bolsa
-A partir de 1º de outubro, a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) estará aplicando recursos externos em suas operações. Essa aplicação foi autorizada por voto do Conselho Monetário Nacional (CMN). A iniciativa pode representar um divisor na história da comercialização brasileira, considerada tímida do ponto de vista do produtor, que não tem muita intimidade com o mercado, e atrasada, quanto aos mecanismos disponíveis.
-Os agentes do mercado e as dezenas de bolsas de mercadorias que operam on line com a BM&F já aguardavam a confirmação da notícia e alguns até preparam mala direta com grupos de agricultores ou suas cooperativas. E ontem, no final da tarde, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, confirmou a entrada de recursos externos nas bolsas.
-Hoje, comparou o ministro, os investidores brasileiros podem aplicar na Bolsa de Chicago, mas os investidores estrangeiros não podem fazer o mesmo aqui. Ele acha que isso é um absurdo.
-A verdade é que a comercialização em bolsa para o governo é uma mão na roda e vem suprir, através do mercado, a incontornável crise de recursos para financiar a comercialização. O mercado terá de fazer isto. O governo considera esgotado o modelo anterior.
-Dezenas de vezes o agricultor ouviu isto nos últimos três anos, pelo menos. Mas para que o novo modelo não caia no fracasso ou veja a ser abortado, bolsas, corretoras e governo terão de fazer uma campanha mostrando como funciona e as vantagens e desvantagens dessa modalidade de comercialização. A Bolsa, principal agente beneficiário da modernização, na se mexeu até agora.
-O principal divulgar da mudança tem sido o próprio ministro da Agricultura. Ainda ontem, ele informou que dentro de três anos os produtos agrícolas cotados em bolsas de mercadorias - como café, açúcar, milho, soja, boi gordo e algodão - passarão a ser financiados em cerca de 60% com recursos provenientes do mercado.
-Palavras do ministro à Agência Estado, repórter Gecy Belmonte: ‘‘O modelo do financiamento agrícola brasileiro está superado, não faz sentido financiar soja para exportação com recursos do Tesouro’’, afirmou Pratini de Moraes. Ele explicou que com a adoção de mecanismos de mercado para financiar as principais commodities brasileiras, os recursos dos bancos oficiais ou do Tesouro deverão ser usados para complementar os financiamentos, se necessário, e para os programas de agricultura familiar.
-Especialistas em mercado de commodities estão prevendo resistência ‘‘do setor vendedor’’, no caso os agricultores. Não porque eles ignorem tanto o sistema, mas porque as cooperativas estão com um pé atrás com relação à comercialização em bolsa. A saída seria uma forte campanha de esclarecimento. Mas isto não basta, os segmentos envolvidos como as bolsa e corretoras, e o próprio banco que vai lastrear as operações em nome do governo, têm que abrir mão de prerrogativas para reduzir os custos das operações. De qualquer forma, o sistema só decola mesmo daqui a duas safras, 2003. Até lá, a comercialização será meio na raça ou no escuro, para quem está acostumado apenas a acompanhar as variações de preços, sem uma leitura mais ampla das tendências.



Boi: nova alta
Nova alta no preço do boi, em SP, ontem, confirmando previsão dos técnicos: ficou em R$ 35,62/arroba (+0,62%). Em dólar, fechou estável em US$ 18,92. A prazo, o preço ficou em R$ 36,21 (+0,53%). Os dados são da Esalq/USP e foram divulgados pela BM&F.
Boi/Paraná
Os preços praticados em São Paulo são indicador para demais regiões. Com base no mercado paulista, pecuaristas do Paraná e Mato Grosso do Sul seguram o boi no pasto na expectativa de novas altas nos próximos dias.
Soja/Paraná
O Indicador de Preços da Soja Esalq/BM&F ficou em R$ 20,65/saca (-0,96%), no atacado. Em dólar, US$ 10,91/saca (-1,71%). O Indicador é calculado pela Esalq com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Paraná.
Milho/estável
O indicador de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou em R$ 11,16/saca kg, estável. Em dólar, US$ 5,90/saca (-0,67%). O valor a prazo ficou em R$ 11,20/saca (-2,62%). Veja abaixo preço ao produtor do Paraná.
Embalagem
O País perde 35% dos tomates e pimentões colhidos por problemas de embalagem e estocagem. A troca das caixas de madeira por embalagens desenhadas pela Embrapa para estes produtos pode reduzir a perda em 20%.
Plástico
A nova caixa tem cantos arredondados e amassa muito menos os produtos. O plástico permite higienização. As velhas caixas K - assim chamadas porque foram desenhadas para conter 2 galões de querosene na Segunda Guerra Mundial.

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