-Pelo menos um dos efeitos do aumento das taxas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) vai beneficiar o setor alimentício incluindo aí o agroindustrial, massas, embutidos e carnes, que estão no limite e alguns até chegando à exaustão, não tendo mais como (re)inventar promoções. A indústria de alimentos já se mexe para atrair a parcela de consumidores que se desloca (do setor de bens duráveis) para o segmento da alimentação.
-Qualquer que seja o tamanho desta migração vale à pena acreditar nela, pois em tempo de vacas (quase) magras, qualquer nicho é um achado. A leitura que a indústria de alimentos faz deste cenário é a seguinte: o consumidor que vai fugir dos juros é de pequeno calibre; é o comprador de eletrodomésticos. O comprador de carro tem outra atitude para fugir do IOF, podendo até negociar à vista, ou se beneficiar das muitas formas que o próprio comércio arquitetou para driblar o imposto.
-Mas o comprador de eletros não, esse simplesmente adia a compra e direciona a poupança para ‘‘compras do bem-estar imediato’’, leia-se alimentos, roupas e lazer. O consumidor não muda, o que muda é o perfil da demanda. É o que os especialistas chamam de ‘‘deslocamento do consumo’’. O consumidor continua carente daquele bem e vai adquirí-lo cuja compra adiou. Se esta mudança se confirmar as indústrias e por extensão o varejo terão uma boa chance de alavancar as vendas, visivelmente retraídas nos últimos meses.
-Vale lembrar que essa expectativa de demanda deve exacerbar ainda mais a acirrada concorrência do setor de alimentos. Poucos setores são tão concorridos como este. Concorrência na indústria e no varejo. E o que é real: o setor apresenta certa ociosidade como mostra pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre o ritmo de produção do setor.
-Conforme boletim que a CNI divulgou segunda-feira, 60% das pequenas e médias empresas estão utilizando menos de 80% de sua capacidade total de produção e 62,3% das empresas consultadas não fizeram qualquer tipo de investimento no primeiro trimestre do ano, já que têm capacidade ociosa. A CNI mostra o diagnóstico e interpreta: não está havendo aquecimento generalizado da demanda. São bolhas de consumo localizadas.
-Das empresas pesquisadas, 39% disseram que houve queda de produção no primeiro trimestre. Detectaram estabilidade, 37% e aumento, 24%. As vendas caíram para 42,1% das empresas pesquisadas. Somente 28% detectaram aumento das vendas. No primeiro trimestre de 1996, as vendas haviam aumentado para 22% das empresas.
-Outros dados: a carga tributária foi o principal problema enfrentado no trimestre, segundo a pesquisa. Das empresas consultadas, 18% consideraram que essa foi a maior dificuldade. Logo depois vem a redução das margens de lucro (14,9%), a competição acirrada (13,9%) e a taxa de juros elevada (13,2%). Arroz importa

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