Oswaldo Petrin
Guerra comercial
A prática de dumping no leite argentino é flagrante: o produto é vendido no Brasil a preços inferiores ao cussto de produção. Não é de hoje que o Ministério da Indústria e Comércio investiga o dumping e até sugere uma taxa compensatória: 20.7%. Não pastasse isto, as estatísticas de entrada de leite argentino estão aí para quem quiser desconfiar. De janeiro a agosto deste ano as importações de leite em pó argentino cresceram 60% em comparação com igual período do ano passado, apesar da desvalorização cambial de janeiro, elevando de 57 mil para 91 mil toneladas. Dados que você vai ver com mais detalhe em outro local deste caderno de Economia, inclusive com o preço médio do leite em pó importado.
-Está certo que em matéria de leite somos modestíssimos, para não dizer incompetente, mas importar tanto leite da Argentina já é demais. Uma tarifa compensatória para o leite argentino é mais lenha na fogueira (manchete do caderno).
-Aparentemente nada tem a ver, mas episódios como a entrada de leite argentino no Brasil e a retaliação da UE à carne norte-americana devem refletir na já complicada pauta das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), com direito a respingos na Rodada do Milênio em Seatle (EUA) em dezembro.
-Por conta de crises regionais que se multiplicam, fica claro que, no seio da OMC as negociações agrícolas começam a se mostrar cada vez mais acirradas. Ontem foi a vez de o presidente francês Jacques Chirac classificá-las de difíceis. Chirac atacou a ajuda direta dos EUA aos agricultores, mas quer a continuidade dos subsídios aos europeus. Até os andinos Bolívia, Colômbia, Venezuela, Equador e Peru, disseram que o grupo deve ter uma posição única e sólida na próxima reunião da OMC.
-Os 15 países da União Européia decidiram incluir a Agenda 2000 acertada em março deste ano em Berlim e da qual faz parte a controvertida Política Agrícola Comum (PAC) no mandato negociador a ser outorgado à Comissão Européia para a futura Rodada do Milênio. Isso significa que os europeus manterão uma posição conservadora no tema agrícola, mas agressiva para defender a nova PAC, que determina subsídios agrícolas de 307 bilhões de euros (US$ 325 bilhões), ou 40,5 bilhões de euros (US$ 43 bilhões) por ano, no período entre os anos 2000 e 2006.
-Além da manutenção dos subsídios, os 15 países europeus pretendem ainda cercar-se de uma espécie de blindagem para proteger seu setor agrícola.
-Alguns países, como a Espanha por exemplo, estudam criar uma espécie de seguro agrícola comunitário para garantir a renda dos agricultores. Esta nova fórmula de apoio ao setor ficaria, de acordo com os ministros europeus de Agricultura, isenta dos eventuais cortes que derivariam das negociações da nova rodada no âmbito da OMC.
- Boi Tanto no Paraná como em São Paulo os pecuaristas estão mesmo segurando o boi. As ofertas continuam pequenas, e as escalas de abate, curtas. Com isso, os preços da arroba de boi gordo voltaram a subir. Ontem, em São Paulo, a FNP Consultoria & Comércio registrou negócios a R$ 35,5/arroba; R$ 34,00, no Paraná. Em 30 dias, a alta acumulada é de 9,23%.
Leitor/arenito
Sábado é dia do leitor que se manifesta (através de cartas, telefone, fax, e-amil): Alcides Araújo da Silva (Paranavaí), Elir Oliveira (Palotina), Edson A. Bastos (Umuarama), todos favoráveis à reportagem sobre ocupação sustentável do arenito.
Leitor/Bolsa
Amadeu P. Barrios (Guarapuava), Jakson A. Petrúcio (Taciba SP) e Antônio Marcílio (Wenceslau Braz) e Alex A. Drass (Ponta Grossa), pedem informações sobre Bolsa de Arrendamento de Terras. Escrevam: Prefeitura de Umuarama, av. Rio Branco, 3.717, cep 87.501.130. Tel 44 622-3007.
Leitor/transporte
Oswaldo Chiuchetta (Maringá): sobre proposta ao senador Osmar Dias para criação da Agência Nacional do Transporte Ferroviário, Hidroviário e Fluvial. Sugestão foi formalizada e protocolada na Casa Civil com muita chance de vingar.
Leitor/indústria
Chiuchetta é pioneiro da indústria moageira de milho. Deixou a atividade porque o custo do transporte onerava os custos inviabilizando a atividade. Eu tinha que enviar derivados daqui de Maringá para o interior do Nordeste.
Leitor/Chiuchetta
Ele batalhou durante anos pela redução do custo Brasil no transporte. Foi presidente da Associação das Indústrias Moageiras e diretor da Associação Comercial de Maringá. Não se conforma com o atraso do transporte no País.
Leitor/análise
Aníbal F. Guina (Cornélio Procópio): pede que se publique análises do profº. Ismael Mologni também sobre milho e não apenas sobre soja.





