-A Fetaep diz que enviou ofício à superintendência do Banestado questionando a suspensão das operações do Pronaf na região de Maringá. As agências não contratam financiamentos novos desde a semana passada. A Fetaep se baseia em informações do próprio banco. O assessor econômico da Fetaep, Sérgio Gutierrez, aproveitou o comentário desta coluna, terça-feira (sobre os créditos que o governo anuncia mas não chegam ao interior) para dizer que o Pronaf não financia a compra de tratores novos nem a recuperação ou compra de tratores usados. Enquanto isso, 30% das compras de equipamentos na Agrishow, em SP, esta semana, tiveram recursos do Pronaf.
-Sem recursos para investimento (tanto via Pronaf, para pequenos produtores, ou via Finame, para grandes e médios) e com um plano de apoio à comercialização apenas modestíssimo (os leilões de contrato de opção de milho fracassaram e o EGF ainda demora), as chances de recuperação da economia agrícola ficam por conta do mercado. Agora tentando assimilar o aumento, desde ontem, da taxa do IOF.
-Mas o aquecimento parece superficial, efêmero, a julgar pelos negócios do Agrishow, encerrado na semana passada, em Ribeirão Preto. Como termômetro da economia, o evento revela um otimismo muito discreto, não confirmando o otimismo que os organizadores tentaram conferir-lhe.
-Esta é a opinião dos próprios dirigentes de empresas participantes. Ross von Reininghaus, diretor comercial da New Holland, acha que o excesso de otimismo prejudica o setor, já que cria uma imagem de euforia e bons negócios que, na verdade, não existe.
-Diante da recessão do setor até ano passado, o salto nas vendas, por maior
que seja, não tem muito impacto. A estimativa do setor de máquinas e equipamentos é de que, neste ano, o resultado das vendas cresça em torno de 30% em relação ao ano passado. Em 1996, contudo, o resultado de vendas do setor foi o pior desde 1963, com apenas 10.400 tratores e 899 colheitadeiras vendidas. Tradicionalmente, as vendas anuais de tratores chegam a uma média de 30 mil e as de colheitadeiras, a 4 mil.
-‘‘Na verdade, se esta previsão de crescimento se concretizar, estaremos apenas recuperando um espaço perdido com a crise agrícola nos últimos anos’’, disse Carlos Érico Costamilan, diretor de vendas e marketing da Agrale, ao repórter Eduardo Magossi, da AE, sexta-feira.
-Segundo ele, durante a Agrishow, aparecem muitos interessados mas vendas não acontecem. ‘‘Nossa participação é apenas institucional, apresentando nossos produtos onde o produtor agrícola pode compará-los com outros. Mas negócios são raros’’, explica Silvio Munhoz, diretor de marketing da Valmet. ‘‘As vendas, quando ocorrem, são bônus’’, diz Reininghaus, da New Holland.Maeda

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