Oswaldo Petrin
A potência do varejo
-Os supermercados, que iniciaram ontem sua 33ª Convenção Nacional, em São Paulo, estão elevando as mãos aos céus e agradecendo. Num ano de dificuldades o setor prevê crescimento de até 4%. Alguém duvida? Então veja o desempenho no ano passado, igualmente difícil para a macroeconomia, porém positivo para o setor: cresceu quase 6% sobre 1997 (e faturou R$ 55,5 bilhões), enquanto o PIB do qual participa com 6,1% cresceu míseros 0,15%; o setor industrial, cresceu apenas 0,98%, e o comercial caiu quase 4%. Como se vê, a economia vai mal o varejo vai mal , mas os supermercados vão bem e são exceção dentro do segmento a que pertencem, o comercial.
-Realmente, os supermercados nos remetem para uma economia diferenciada. E até sugerem que não estão inseridos na combalida realidade brasileira. Melhor definição são os dados que a própria Abras (Associação Brasileira de Supermercados) está divulgando e festejando á nestes dias. Em resumo, trata-se de um setor de faturamento crescente e empregabilidade estável.
-Outros dados de crescimento apontam o aumento dos pontos de vendas: 51.502 (47.847 ano passado) e o número de empregos diretos: 2 milhões este ano (667 mil em 97). Em movimento, o Carrefour, na dianteira do ranking, tem um faturamento de R$ 7 bilhões, seguido do Pão de Açúcar, com R$ 6,625 bi.
-Se os supermercados, no início dos anos 70, eram responsáveis por 26% do abastecimento doméstico (alimentos, produtos de higiene e limpeza), hoje respondem por 86%, segundo anúncio da Abras, neste final de semana.
-É um setor que não hesita em investir em tecnologia. Está quase na fronteira, segundo o presidente da Abras, José H.P.Araújo. A virada do milênio terá investimentos na criação de marcas próprias e em pesquisas para um melhor conhecimento do consumidor. A Abras sabe, por exemplo, quem são os consumidores nos diversos perfis sócio-econômicos. Desfila estatísticas sobre comportamento do consumidor; sabe, por exemplo, que 47% dos consumidores costumam levar lista de compras. E que está diminuindo o número de clientes que compram por impulso. Embora mais comedido, o consumidor ainda toma decisão de comprar quando está dentro da loja: 85% das decisões de compra por marca produto são tomadas no ponto-de-vendas. Ainda sobre perfis de clientes: a estabilidade econômica impôs mais serenidade nos hábitos da classe média alta que passou a exigir mais. Mas que abre mão da fidelidade à marca quando a disparidade de preços é muito alta.
-Como avanço tecnológico o setor destaca o programa Efficient Consumer Response (ECR), que busca simplificar, padronizar e racionalizar o sistema de distribuição, permitindo identificar os produtos que têm maior ou menor saída.
E que embalagem está crescendo ou caindo na preferência do consumidor. O ECR é executado em convênio entre as grandes redes de supermercados.
On line
Outro campo de investimentos dos supermercados no momento são as vendas (ou compras) on line. Os grandes preparam companhas para implementar uso da Internet e CD-Rom. Por enquanto o telefone ainda é o maio mais utilizado.
Virtual
O esforço é para que o supermercado virtual ofereça ao cliente da Internet um ambiente que se aproxime muito ao ambiente convencional. Se necessário até com aquele barulho característico. Pão de Açúcar é o pioneiro na compra virtual.
Restrições
Setores conservadores dos especialistas em marketing acham temeroso avançar muito nesta área em que vendedor e compradores são dois ausentes fisicamente. Admitem que esta é a tendência, mas sugerem avanço gradual.
Ambiente
Mas os defensores da idéia observam que hoje 2/3 das compras já são feitas em ambiente sem a presença de vendedor. O pessoal distribuído nas lojas são atendentes, que estão aí para orientar, não para vender. Exceção dos promotores.
Embalagem
Uma radiografia do varejo expõe o setor de embalagens. Ano passado a indústria de embalagens movimentou mais de R$ 11 bilhões. E revela o bom crescimento das embalagens recicladas, mais ou menos um terço do total, segundo a Abras.





