Oswaldo Petrin
Entre conglomerados
-Nas últimas semanas foram muitas as informações sobre a compra de supermercados. Cabe perguntar: a concentração do número de grandes redes atacadistas-varejistas deve preocupar os fornecedores de matéria-prima? Esta verticalização (na compra, bem entendido) interfere no agronegócio?
-Em outra vertente, a dos fornecedores de insumos, os números recentes sobre aumento nos preços (nosso tema de ontem) têm mostrado que o poder de barganha da agricultura está desabando; a relação de troca é frágil. É indisfarçavelmente tênue, quase imperceptível, a concorrência entre o setor fabricante de princípios ativos no caso dos defensivos , e de matérias-primas para fertilizantes, no caso das misturadoras. Por mais de uma oportunidade a administração de preços justificou a intervenção do CADE, que nunca acontece.
-Na França, onde as relações de negócios nas cadeias produtivas são, digamos mais equânimes o que lhe confere realmente o sentido de cadeia , a ponta fornecedora, os agricultores, se preocupa muito com a composição e o jogo de força dos parceiros industriais. Tanto que neste momento, uma aliança européia entre agricultores e consumidores está sendo proposta pelo principal líder da Confederação dos Agricultores, em plena Campanha Contra as Grandes Centrais de Compra, as redes de hipermercados, as multinacionais da alimentação.
-O objetivo dessa aliança relata, de Paris, o repórter Reali Júnior, da Agência Estado , é lutar contra o dumping econômico e social aumentando também a pressão sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC), alguns meses antes da abertura das negociações de Seattle, nos EUA. Diversas organizações de defesa do consumidor, entre elas uma das mais importantes, a Que Choisir, parecem dispostas a participar do combate ao lado dos agricultores franceses.
-Uma referência: José Bove, o agricultor que exagerou na dose de protesto e que permaneceu preso desde o dia 19 de agosto por ter comandado a destruição de um restaurante McDonalds, em Millau, e que só saiu da prisão na última terça-feira mediante o pagamento de fiança feito por agricultores. Ele defende uma outra lógica internacional que não seja a do dumping econômico e social. Antigo criador de ovelhas na região do Larzac, no interior da França, José Bove surge hoje como um Robin Hood dos agricultores.
-Essa aliança constitui a seu ver a melhor resposta aos Estados Unidos que boicotam produtos agrícolas franceses pelo fato da França ter determinado a suspensão da importação de carne bovina norte-americana, originária de criação de bovinos com hormônio.
-A resistência ou, no mínimo, a vontade de questionar a força dos grandes conglomerados, está se configurando como tendência mundial.
Boi/oferta
A oferta de gado para abate deve cair em pelo menos 460 mil cabeças nesta entressafra, prevê a FNP Consultoria & Comércio, de SP. Desse total, 160 mil são bois confinados ou semiconfinados; o restante em regime de pasto.
Em alta
Segundo entendidos, isto contribui para sustentar os preços. Na segunda-feira e na quarta, após o feriado, os preços continuaram em alta, mantendo pequena variação em torno de R$ 34,00, em SP, referencial para outras praças.
Peso e volume
A queda de oferta de gado (a pasto) ocorre em número e peso. A oferta de confinados e semi só não é maior devido aos custos. O total de bois confinados em 99 subiu para 1,5 milhão de cabeças (1,39 milhão em 98). O semiconfinado recuou.
Média
Mas o preço ainda está abaixo da média histórica, determinada em dólar. É positivo o fato de a arroba do boi ter evoluído 3% no acumulado de 30 dias, apesar da seca que poderia apressar a oferta de reses da engorda a pasto.
Pico de alta
A FNP, informou na quarta-feira (vaivém das commodities da AF) que a continuidade ou não da seca vai determinar os preços. Neste ano, o setor deve registrar pico de altas. Até onde vão chegar os preços, é cedo para se prever.





