Maior nação agrícola?
-Os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul terão suas cotas de exportação de carne para os Estados Unidos definidas no início do ano que vem. O Paraná terá cota garantida para o ano 2001, mas com negociações delineadas já ano que vem. Esta é a boa notícia de uma entrevista do ministro Pratini de Moraes à AE, ontem. O ministro anuncia sua intenção de transformar o País na ‘‘maior nação agrícola do mundo’’, um projeto que merece apoio porque expressa a intenção do governo de prestigiar um setor deixado à margem.
-Difícil é acreditar no sucesso dessa idéia na atual conjuntura. Transformar o Brasil na maior nação agrícola é viável, desde que o início de tudo passe por uma ampla reforma da política agrícola e se devolva ao campo os fatores de renda, para que haja investimento em tecnologia, produtividade e qualidade. Querer competir, nas condições de hoje, é como colocar um time de basquete na quadra com as mãos atadas.
-Mas quem impede que o governo dê condições à produção? Ele próprio. Antes de chegar na chamada vontade política, o governo esbarra no conceito, na sua própria mentalidade. Por exemplo:
-O ministro Pratini fala que um dos caminhos – para alavancagem da agricultura – é a tecnologia e que para isto os programas da Embrapa têm prioridade. Tecnologia existe, é boa e o agricultor gosta. Quanto mais, melhor. O problema é de adoção. O produtor reduz o uso de insumos - recuando tecnologicamente – quando não vislumbra retorno. Devia ser o contrário. Mas sem aporte de recursos, sem sentir segurança, ele não arrisca capital próprio. Até porque não pode contar nem com um seguro decente.
-Claro que ninguém pode prescindir da tecnologia. Mas alguém tem que alertar o ministro que a tecnologia é o meio, o instrumento, não o fim. A renda agrícola sugere ações mais consistentes no suporte à comercialização. Não há lugar para uma presença paternalista do governo no mercado. Mas a ação do Estado não pode se limitar, por exemplo, ao incentivo à venda antecipada de soja, lastreando Cédula de Produto Rural (CPR).
-O governo tem de se colocar como aliado da produção em todos os sentidos, para que o produtor sinta firmeza. Se a agricultura é importante (é o setor que tem condições de reverter o atual quadro letárgico da economia), por que não é prestigiada? A indiferença de Brasília se expressa até nos momentos mais episódicos, efêmeros, como o caminhonaço. O próprio governo permitiu que agricultores honestos, produtivos fossem confundidos com políticos-fazendeiros ou fazendeiros-políticos, maus pagadores que também estavam lá. Embora devedores, centenas deles não poderiam ser jogados na vala comum dos caloteiros. E a mídia preconceituosa fez bom uso dessa desinformação do Planalto. Em vez de separar o joio do trigo, estabeleceu-se um jogo de perdedores. É assim que FHC quer transformar o País na maior nação agrícola?



Frango
Ministro Pratini anunciou na mesma entrevista à AE um projeto de abertura de novos mercados para frutas e frango. Em breve começam as exportações de frango para o Canadá. Frutas vão para Canadá, Japão e UE.
Na frente
Dentro do mesmo projeto, suínos, ganharão mercado na Europa e países como Austrália e Nova Zelândia. Do ministro Pratini: já somos os maiores exportadores de carne bovina para Europa, já desbancamos a Argentina.
Açúcar/café
Esta semana saíram os decretos de transferência para o ministério da Agricultura dos órgãos responsáveis pelo Café e Açúcar que estavam no ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
CPR/BM&F
O Conselho Monetário Nacional aprovou a participação de recursos externos na Bolsa de Mercadorias (BM&F). Governo trabalha agora na constiuição da CPR financeira, que é outro instrumento para o financiamento agrícola.
BM&f/liquidez
As negociações de produtos agrícolas no mercado futuro da BM&F têm aumentado o que dá ao setor maior liquidez, um dos principais ingredientes para que aumentem as operações. Os dados de agosto confirmam o avanço.

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