Novas taxas de juros
-As taxas de juros básicos anuais - que já chegaram a 49% quando das crises russa e asiática, em outubro do ano passado, e caíram para os atuais 19,5%, depois de sucessivas reduções - podem sofrer nova redução hoje. Nada que vá além de meio por cento, porém suficiente para sinalizar pequena mudança no comportamento de um dos principais indicadores da economia, o custo do dinheiro.
-As novas taxas de juros básicos serão fixadas na reunião de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom), formado por técnicos do Banco Central (BC). As taxas a serem definidas hoje serão levadas em conta pelo Banco Central num estudo de diagnóstico sobre o custo do crédito, encomendado à Fundação Getúlio Vargas.
-O estudo também vai indicar os motivos que impedem que a queda de juros básicos seja repassada para as diversas modalidades de crédito ao consumidor, como o crediário de lojas de eletrodomésticos, empréstimos bancários, crédito pessoal e Crédito Direto ao Consumidor (CDC) tomado por pessoas físicas nos bancos ou financeiras. E, embora sejam caso à parte, também os cheques especiais.
-Com esses dados o governo quer remover um dos gargalos que impedem aumento da demanda agregada de bens, reclamada pela indústria e comércio. O estímulo ao consumo, contudo, esbarra principalmente na renda. Mas como o governo não quer aumentar a massa salarial, a opção preferencial é reduzir os custos do crédito. Pelo instrumento monetário, conjunto formado por juros e prazo, fica mais fácil regular o aquecimento da demanda.
-Há uma demanda reprimida (de alimentos, vestuário, veículos, eletrodomésticos e eletroeletrônicos) e um aquecimento agora anteciparia a bolha de consumo do final do ano abrindo espaço para remarcações de preços, fenômeno que transparece rapidamente na inflação. Isto apavora o governo, em tempo de credibilidade política abalada.
-Outro motivo que leva o BC a mexer nas taxas de juros é que o governo não aceita o argumento dos bancos de que as taxas - causa da fuga do tomador de crédito - têm que ser alta para embutir o risco da inadimplência. E o Banco Central até tem dúvida sobre os índices de inadimplência alegados pelos bancos.
-Por este motivo prefere monitorar mais a cobrança dos juros. A decisão de hoje do Copom pode sinalizar medidas para reduzir os juros no comércio. Assim o governo abre o apetite dos consumidores. Abre não, regula, reprimindo a demanda quando achar necessário - ou seja quando o consumo oferecer perigo aos índices de preços. O afrouxamento dos juros no crediário, agora, faz lembrar a corrida às compras nos dois primeiros anos do Plano Real, quando as pessoas se endividaram até o pescoço por conta de preços e taxas ilusoriamente baixos.



Soja/Paraná
O Indicador de Preços da Soja, no atacado, ontem, ficou em R$ 19,60/saca (+1,45%. Em dólar, US$ 10,21 (+2,72%). O Indicador é calculado pela Esalq com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Paraná.
Soja/Ásia
A reativação da economia asiática está animando os norte-americanos, que esperam exportar US$ 50 bilhões no ano fiscal 2000 em produtos agropecuários, principalmente soja. Os asiáticos ficariam com pelos menos 37% desse volume.
Milho/lotes
O preço médio do milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 10,08/saca (+0,60%). Em dólar, ficou em US$ 5,25/saca (+1,74%). O valor a prazo ficou em R$ 10,40/saca (+0,97%). Veja abaixo preço ao produtor no Paraná.
Milho/seca
Da Consultoira Branfalizze, de Curitiba, para a Agência Folha, ontem: Os produtores de milho vão se beneficiar da estiagem. Pecuaristas terão de recorrer à suplementação alimentar à base de milho, o que sustenta os preços.
Já reflete
O milho no atacado de SP esteve ontem em R$ 11,20, alta de 4,67% sobre o dia anterior, segundo a Bolsa de Cereais de SP. Preço bem superior ao indicado pela FGV/BM&F. Confira acima. Em 30 dias, o milho acumula alta de 6,67% no atacado.

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