-A Sub-comissão da Cadeia Têxtil do Fórum Nacional da Agricultura (FNA) apresenta hoje as propostas para a recuperação da produção de algodão no País. O documento, que será apresentado para análise, é apoiado pela indústria têxtil e foi elaborado em reunião em São Paulo na semana passada.
-Segundo Luiz Lourenço, que coordena o grupo, tanto o setor produtivo quanto a indústria estão sofrendo com a crise do algodão. ‘‘Em nenhum país, a indústria têxtil cresceu sem o aumento da produção de algodão’’, observa em entrevista à repórter Alda do Amaral Rocha, da Agência Estado. Em sua avaliação, o que levou ao recuo na produção de algodão no Brasil foi a falta de liquidez no setor, agravada pela ineficiência da política de preços mínimos do governo.
-‘‘As medidas tomadas pelo governo nessa área foram insuficientes para melhorar o desempenho da produção interna, não tendo alcançado o cerne da questão que estava na falta de uma política de sustentação da comercialização do algodão nacional em condições idênticas às disponíveis aos importadores’’, diz, diz o documento do grupo de trabalho.
-Antes da MP 1.569, que determinou pagamento à vista para as importações com financiamento com prazo inferior a 360 dias, as condições de financiamento eram desfavoráveis ao algodão nacional. Com o desestímulo ao setor, a produção de algodão no País caiu de 960 mil toneladas de pluma em 85 para 667 mil em 92, 414 mil t no ano passado e apenas 340 mil t em 97, de acordo com o documento do grupo de estudo do FNA. Se mantido o atual nível de consumo da indústria nacional, da ordem de 850 mil t, o Brasil deve importar este ano o equivalente a 510 mil t, tornando-se o maior importador mundial, segundo o documento do grupo setorial.
-Essas importações, mais de US$ 900 milhões com base nas atuais cotações do produto, ajudarão a ampliar o déficit comercial do País, conforme o estudo. O aumento do custo da mão-de-obra também levou à redução no plantio. Como consequência do menor plantio, houve forte desemprego no setor. O Paraná, por exemplo, que era o maior produtor do País, e empregou 235 mil pessoas na safra 91/92, está empregando apenas 25 mil agricultores nesta safra, conforme o documento.
-Por considerar que um dos motivos que levaram à crise na cotonicultura foi o ‘‘tratamento privilegiado dispensado às importações de algodão em relação ao produto nacional’’, o grupo do Fórum Nacional de Agricultura vai apresentar as seguintes propostas para recuperação do setor: 1) Ajuste no mecanismo tarifário para neutralizar vantagens provenientes de subsídios e dumping no produto importado; 2) Manter a consistência das medidas introduzidas pela MP 1.569, garantindo tratamento idêntico para o produto importado e o nacional; 3) Criar programas de crédito com taxas de juros competitivas com as internacionais para custeio e comercialização da produção nacional.Royalties

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