Mercado adverso
-A seca já incomoda a safra de verão no Paraná. Porém, a maior dificuldade da soja este ano não está no plantio, com previsão de escassez de chuvas no verão. Plantio não está atrasado e tem ainda pelo menos 60 dias pela frente. Problema está na commoditie soja. As previsões de três meses atrás, de que os preços seriam baixos, estão se confirmando. O momento continua adverso para o mercado internacional da soja e outros grãos oleaginosos. Os motivos são conhecidos do mercado: em três anos a produção de soja atingiu 159 milhões de toneladas e não houve contrapartida no aumento do consumo.
-Para entender melhor o quadro, vale recorrer aos dados do especialista Paulo Molinari: até 1998, a demanda mundial do complexo soja vinha crescendo 8 a 9% ao ano, e sustentava preços internacionais elevados. A partir daí, a demanda caiu de 9% para 2% e a produção aumentou. Isso originou os maiores estoques da história. Quando a safra 199/2000 for colhida os estoques estarão em 28 milhões de t, contra 13 milhões de t que existiam três anos atrás. Como efeito desse desequilíbrio registram-se os menores preços desde 1972.
-Vai ser um ano difícil, impróprio para o governo implementar o novo sistema anunciado pelo ministro Pratini esta semana. Aliás, ontem, O ministro da Agricultura, voltou a afirmar que, a partir do próximo ano, haverá uma renovação dos mecanismos de financiamento para a agricultura (renovação significam novos cortes). O ministro afirmou ser necessário que os financiamentos públicos para o setor sejam retirados gradativamente e transferidos para os bancos privados.
-Pratini, que esteve em Buenos Aires para participar da reunião do Grupo de Cairns, reafirmou os 15 países membros vão insistir na eliminação de subsídios às exportações concedidos pelos Estados Unidos e pelos países europeus. ‘‘Há convergência inclusive na posição de que é necessário um maior acesso de nossos produtos a esses mercados’’, acrescentou o ministro.
-Importante: hoje o ministro vai se reunir com o secretário de Agricultura dos EUA, Dan Glickman. Para o ministro, essa será uma boa oportunidade para saber qual é a posição do governo Clinton na questão agrícola e como os EUA irão conduzir as negociações desse setor na Rodada do Milênio, que deverá ser lançada em novembro durante a reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC).
-‘‘O mais importante e chegar a um acordo para somar esforços e enfrentar as duras barreiras européias contra os produtos agrícolas’’, disse o ministro. Pratini vai explicar que ao aumentar as suas exportações, o Brasil terá condições de obter saldos positivos em sua balança comercial e, consequentemente, poderá aumentar as suas importações. ‘‘Tenho certeza de que isso interessa aos países desenvolvidos’’, acrescentou (AE).



Leitor/batatas
Sábado é dia do leitor que se manifesta (cartas, telefone, fax, e-mail) sobre assuntos da atualidade. Salvador S. Peretti, de Maringá, quer saber mais sobre cultivo de batatas na região. Seu fax foi encaminhado ao Iapar.
Leitor/mídia
Pedro P. Bredas, de Ibaiti, sugerindo a leitura do artigo do escritor Raduan Nassar, ‘‘Rural x Urbano’’ na Folha de São Paulo, domingo, 22: ‘‘Depois de passar raiva com a divulgação do caminhonaço, vejo que a tevê não é dona da verdade...
Versão oficial
Raduan, autor do consagrado romance ‘‘Um copo de cólera’’, fala como produtor que é (no interior de São Paulo) e critica FHC e a mídia ‘‘que, mais uma vez, não sabe o que está falando; devia fazer estágio numa lavoura ou questionar mais a versão oficial’’.
Raduan/mídia
Raduan provoca: por que a mídia não se posicionou quando, após o ajuste cambial, os preços dos insumos foram dolarizados, mesmo aqueles cujos componentes não são importados? A indústria multinacional fez o que quis.
Mídia/footing
E o governo, por que não agiu, diante dos abusos? Quanto à mídia, durante o episódio, ‘‘andava fazendo footing com a indústria química’’. Ele acusa a imprensa de jogar produtores na vala comum dos caloteiros.

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