Oswaldo Petrin
-Duas batalhas começam a ser travadas esta semana entre as representações da agricultura e o governo. Uma refere-se à revisão da securitização. Os técnicos do governo não transigem nos cálculos. Ou melhor, não admitem recalcular os valores e (ao contrário do que aconteceu ano passado, quando o Congresso aprovou a securitização da dívida) já não querem admitir sequer que a dívida foi um grande equívoco. A outra batalha é com relação ao dumping praticado pelos países que exportam algodão para o Brasil. A omissão do ministério da Indústria e do Comércio, neste caso, contribuiu para o fracasso da cultura, que agora dá sinais, ainda pálidos, de recuperação.
-Com relação ao alongamento da dívida, órgãos como Faep e Confederação Nacional da Agricultura estão orientando os mutuários para que recorram à Justiça para garantir a revisão dos cálculos feitos pelos bancos. O chefe do Departamento Técnico da Confederação Nacional da Agricultura, Antônio Donizeti Beraldo, disse que advogados da CNA estudam essa possibilidade frente à demora do governo de cumprir o acordo feito com a Frente Parlamentar de Agricultura.
-Segundo a CNA, 3 mil produtores encaminharam pedido de recálculo à Comissão de Avaliação da Securitização (Comav), coordenada pelo Ministério da Fazenda. Mas o próprio ministro Arlindo Porto admitiu que não houve consenso entre as propostas técnicas para a revisão dos débitos e disse que terá de tratar da questão diretamente com os ministros da área econômica. Técnicos do Ministério da Agricultura estão se reunindo quase que diariamente para tratar do problema, mas não conseguem propor uma solução. O Banco do Brasil, que foi responsável pela maior parte dos contratos de securitização, alega que os resultados já foram lançados no balanço anual e não podem ser revistos. Os produtores não concordam. Ainda na primeira quinzena de maio, a Comissão de Crédito Rural da CNA deverá se reunir para definir que posição tomar, conforme informa a repórter Mariângela Herédia, da AE.
-A questão do dumping do algodão não é uma briga jurídica, apenas a omissão (ou condescendência?) do governo diante de um problema comercial que lesa os interesses do Brasil. A CNA pediu explicações técnicas ao Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (MICT) para o indeferimento do recurso encaminhado ao ministro Francisco Dornelles, para a reabertura da investigação sobre concorrência desleal na importação de algodão dos Estados Unidos.
-A história começou três anos atrás. Depois de demorar mais de seis meses analisando o recurso, o MICT respondeu, na semana passada, que ele fora negado, sem dar maiores explicações. A CNA vai esperar o documento do MICT para decidir, junto com a Organização das Cooperativas Brasileiras e Sociedade Rural Brasil, quais as medidas cabíveis, inclusive judicialmente. Soja Maggi





