Oswaldo Petrin
Brasil Rurbano
-O estudo Evolução das Ocupações Não-Agrícolas no Meio Rural Brasileiro (tema da tese de doutorado do pesquisador Mauro Del Grossi, do Iapar, defendida no início do ano no Instituto de Economia da Unicamp), pode servir de contribuição para orientar ou reorientar políticas de governo voltadas para as questões agrária, social ou econômica.
-O estudo surpreende pelos dados que revelam o perfil de um Brasil em que o rural e o urbano se confundem.
-Há 4 milhões de brasileiros que moram no meio rural mas que dependem economicamente de atividades que fogem à produção agrícola. O trabalho - que está engajado no bojo do projeto Rurbano, coordenado pelo professor José Graziano da Silva, orientador da tese - coloca o fenômeno como uma nova transformação, de caráter social e econômico. Essa alteração é protagonizada pelo aparecimento nesta década de novas frentes de trabalho e de renda no meio rural, abertas pelas atividades não-agrícolas, como os setores de serviço ( transporte, comércio e turismo), construção e indústria.
-Entre as políticas que se poderiam vislumbrar para essa nova realidade no campo são as de urbanização do meio rural, no sentido de oferecer serviços públicos de qualidade, expansão dos serviços sociais básicos nas áreas de saúde e educação, criação de frentes de trabalho e renda. Existem outras destinações econômicas para o rural, como o lazer, turismo, ecologia. O autor, Mauro Del Grossi, coloca os pesque-pagues como exemplos de atividades rentáveis que também geram empregos. E, nesse sentido, o Programa de Vilas Rurais (PVR) é considerado uma iniciativa altamente positiva pela concessão de uma moradia digna, principal benefício na opinião dos moradores.
-O autor assinala ainda que a reforma agrária também pode ser repensada no sentido de que a atividade do assentado não seja exclusiva ou obrigatoriamente voltada para a agricultura ou pecuária.
-O crescimento da população ocupada em atividade não-agrícola tem elevado o número de famílias que o autor designa como famílias pluriativas. São aquelas que combinam atividades agrícolas e não-agrícolas. Hoje no Brasil essas famílias já representam 20% das famílias rurais. E não são apenas as pluriativas que crescem. Segundo Mauro Del Grossi, também está crescendo o número de famílias que se dedicam exclusivamente às atividades não-agrícolas, mas que matém a residência rural. Essa combinação tem sido a saída para milhões de agricultores que não conseguem manter uma renda mínima para suas necessidades, frente à crise de renda enfrentada pela agricultura brasileira.
-Os números dessa nova realidade e o trabalho da tese serão apresentados hoje, na entrevista de Mauro Del Grossi, durante Café da Manhã, às 9 horas, no Iapar.
Frutas
Hoje, às 19h30, no auditório do Sindicato Rural de Londrina, reunião do Grupo de Fruticultura sobre conservação e comercialização de frutas, com o agrônomo Rogério Oliveira Jorge, técnico em e frigoconservação de frutas (338-8010).
ITR 99
O prazo para entrega do ITR vai até o dia 30 de setembro. Na segunda-feira, 30, às 14 horas, no auditório do Sindicato Rural, palestra de técnicos da Receita Federal sobre mudanças no ITR 99, para técnicos e contabilistas.
Recálculo
Opinião de Paulo Afonso Rodrigues, especialista em recálculos de dívidas bancárias sobre impasse entre ruralistas e governo: O caminho não é o perdão e sim o recálculo individual para verificar caso a caso o realizado entre as partes.
Caso a caso
Segundo Paulo Afonso, há casos em que o produtor passa da condição de devedor a credor e casos com rebates menores do que o pleiteado no perdão. E situações em que o cálculo encontra-se dentro do que foi pactuado entre as partes.
Anistia
Paulo Afonso acha que anistia não é uma boa saída. Ele foi convidado pelo Senado a opinar tecnicamente sobre o recálculo da dívida agrícola. Ele é consultor da Afiplan Assessoria Financeira, de Londrina.





