Oswaldo Petrin
Difícil reversão
-Alguns setores da indústria e comércio que têm capacidade para dar respostas rápidas à mudança de ambiente econômico, não apresentaram, ainda, sinais positivos de recuperação, depois de um semestre de baixo desempenho. Esses segmentos incluem eletroeletrônica, materiais de construção, têxteis, todo leque da indústria de alimentos e a maioria dos refrigerantes e cervejas.
-Deveriam começar a reagir em agosto, mas os dados, ainda aleatórios, não confirmam expectativa feita no final do primeiro semestre. Segundo especialistas, a melhoria no desempenho econômico só vai transparecer nas estatísticas da virada do ano porque inclui dezembro, com tradicional aumento da demanda agregada de bens de consumo duráveis e não duráveis.
-Dezembro é mês de aumento generalizado de consumo, mesmo no auge da recessão. O que intriga, neste momento, é que nem a queda nas taxas de juros conseguiu reverter a tendência de queda da atividade econômica, antes prevista para o segundo trimestre e, depois, a partir da metade do ano, o que também não se confirma.
-Apesar do baixo desempenho, a julgar pelo fracasso de agosto, alguns especialistas ainda apostam na retomada do crescimento, porém menos abrangente e a partir de outubro, e não em agosto/setembro como previam. Crescimento, se houver será, portanto, localizado. E vai decorrer do deslocamento de consumo, explicado no seguinte exemplo: pode haver aumento no consumo de macarrão por conta da retração no consumo de carne ou do próprio feijão que inicia temporada de alta, pelo jeito prolongada.
-Mas há os que mantêm a previsão: como Flávio Conde, analista-chefe da Lloyds Asset Management (LAM), à AE, na semana passada. Segundo ele, expectativa é de que os números do segundo semestre sejam melhores do que os do segundo semestre do ano passado. Entre os fatores que devem ajudar o desempenho das empresas, cita uma taxa de juros menor - na média - e ritmo de crescimento mais acelerado (a previsão era de que a economia poderia conseguir crescer entre 3% e 4% na comparação com o segundo semestre do ano passado).
-Quando a economia entrar em um ritmo mais consistente (se o PIB do ano 2000 crescer 3,5%, por exemplo), Conde avalia que os setores alimentação, eletroeletrônicos e construção civil, vão liderar em ganhos de receita e lucro, superando os exportadores. Por enquanto, a base de comparação destes segmentos será fraca, enquanto os exportadores já estão melhorando em 1999.
-Intriga o fato de as análises de recuperação da economia feitas até agora incluem com certa timidez os setores de serviços e agronegócios no segmento de exportação. Mas não descarta, contudo, expansão do consumo de carnes e derivados lácteos.
Brasil Rurbano
Mudanças no perfil sócio-econômico na zona rural são tema de café da manhã no Iapar nesta sexta-feira, 27, às 9 horas. Falará o pesquisador Mauro Del Grossi, da Área de Sócio-Economia.
Perfil
Del Grossi defende tese de doutorado na Unicamp sobre o assunto (Evolução das Ocupações Não-Agrícolas no Meio Rural Brasileiro) e tem dados sobre impacto dessas mudanças na economia dos municípios. (xx43) 376-2349.
Pluriativas
Famílias da zona rural combinam atividades agrícolas com atividades não-agrícolas e são consideradas pluriativas, já que exercem mais de uma função. Há uma nova divisão do trabalho no interior nas unidades familiares.
Adubo orgânico
O empresário Edson Nunes, da Usina de Compostagem, leu notícia nesta página sobre poda de café na Cocamar, e observou: é hora também de iniciar adubação (orgânica) do café e culturas de verão. Ele quer evitar correria de última hora.
Como usar
Nas culturas anuais usa-se 12 toneladas/alqueire. No café, 2 kg/muda. A compostagem é feita de resíduos vegetais e animais. A de Londrina fornece para instituições como Embrapa e Iapar. Orientação: (xx43) 399-1070/323-8346.





