Oswaldo Petrin
-Quando a esmola é demais o santo desconfia, costumam dizer as pessoas céticas em relação a concessões excessivamente voluntárias ou promessas generosas. Ontem o ministro da Agricultura, Arlindo Porto, estava com a caneta cheia: anunciou aumento de recursos para custeio - deixando entrever que as operações de EGF/AGF, ou EGF/COV voltam com tudo -, e dinheiro do Pronaf para investimentos, isto é, compra de equipamento, inclusive caminhões. Foi no calor do entusiasmo da feira Agrishow, no interior de São Paulo. Presentes lideranças e dirigentes de todas as marcas de tratores e equipamento agrícola. As duas agências que transmitiram a informação garantem que os recursos vêm mesmo do Pronaf e não da Finame. É que o Pronaf está na mão.
-O ministro afirmou ontem que a liberação de recursos por parte do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) deverá facilitar a compra de máquinas para os pequenos e médios agricultores na Agrishow. São R$ 350 milhões destinados ao financiamento, importantíssimos para a modernização da agricultura, afirmou o ministro. Agrishow é uma Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação. Num evento desses não dá para anunciar outra coisa.
-O presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Sérgio Magalhães, afirmou esperar uma movimentação em negócios de até R$ 1 bilhão neste ano. Além dos grandes negócios que devem ser fechados, tenho muita confiança nos negócios com os pequenos produtores, o que é uma tendência crescente. O que ocorre na Agrishow é real. Mas não representa a realidade de toda a agricultura.
-Às vezes é melhor ser otimista do que desapontar com realidades que não têm impacto. Aliás muita coisa é real. Por exemplo, o comércio cujo alvo é a agricultura já saiu do período de vacas magras, embora esteja longe de reeditar seus melhores momentos. As vendas de máquinas agrícolas, tratores, colheitadeiras e outras tiveram uma evolução de 15% de janeiro até agora.
-E quem diz isto é o próprio presidente da Abimaq, Sergio Magalhães. Ele explica que as vendas são boas hoje, antes mesmo de junho, quando realmente registram crescimento no País. Magalhães disse à Agência Estado que as máquinas agrícolas no ano passado experimentaram um período de baixa em suas vendas porque não se havia acertado a securitização das dívidas dos agricultores. Mas agora já há a sinalização no setor de que as vendas poderão ser boas este ano.
-Magalhães, que está promovendo o Agrishow, em Ribeirão Preto, entende que as vendas de máquinas agrícolas este ano deverão ser excelentes, superando anos anteriores. Há condições para isto, pois se sinaliza com uma supersafra para este ano, concluiu Sergio Magalhães.Milho BM&F





