Salvo pelo hedge cambial
-Em Brasília, nas capitais e em cidades importantes como Londrina, o governo anunciou algumas medidas para a agricultura, a principal delas a chegada do crédito e renegociações de dívidas. Com isso, neutralizou de vez o movimento dos agricultores (caminhonaço). Ao mesmo tempo, adotava outra defensiva e sufocava mais um ponto de tensão: o câmbio que estourara no final de semana prenunciando uma segunda-feira crítica que não se confirmou.
-No campo agrícola, alguns pontos importantes das medidas anunciadas ontem em Curitiba pelo diretor de Crédito, Roberto Conceição, e em Londrina, pelo superintendente do BB, José Mesquita Filho: a) O prazo de adesão dos produtores ao PESA - Programa Especial de Saneamento de Ativos - foi prorrogado. Isto permitirá que os inadimplentes, com dívida acima de R$ 200 milhões, possam renegociar os débitos até 31 de dezembro; b) 2) Até sexta-feira serão liberados R$ 200 milhões para pré-comercialização do café, que permitirá aos cafeicultores estocarem o produto por seis meses, aguardando momento mais favorável para negociação; c) O Pronaf foi regulamentado, o que autoriza os bancos a liberarem imediatamente recursos para atendimento de pequenos produtores; d) Começa quinta-feira a liberação de recursos do Recoop.
-De Brasília, vem mais informações, pela AE: O governo deve editar a MP alterando a sistemática de refinanciamento das dívidas agrícolas e o Conselho Monetário Nacional deve aprovar ‘‘ad referendum’’ dois votos: um que modifica a equalização da taxas de juros das dívidas em geral e outro que determina o reescalonamento das dívidas dos cafeicultores.
-Entendidos em política disseram no final da semana que o governo ganhou briga com os agricultores. Um problema a menos para o tão combalido mandato de FHC. A estratégia do governo foi atender os médios e pequenos e, assim esvaziar o movimento caminhonaço. Paralelamente, a imprensa vai mostrando perfil da dívida e apontando que ela concentra nas mãos de poucos, incluindo aí os políticos.
-A estes fatores favoráveis ao governo, pode-se acrescentar mais uma variável, que surgiu nesta segunda-feira: o dólar está mais calmo, e a semana começou com certa tranquilidade, quando tudo parecia tenebroso. Resta agora contornar a marcha popular sobre Brasília, que promete ser grande.
-Voltando ao câmbio, ponto sensível da política monetária e da estabilidade econômica, por extensão: o Banco Central havia feito na sexta-feira o que a linguagem do mercado chama de ‘‘anestesia’’, através de uma providencial injeção extraordinária de hedge cambial aplicada com precisão. Moral da história, ontem tudo estava tranquilo. (Veja fechamento do dólar na seção indicadores’’.
-O comportamento do dólar ontem mostra que a medida do BC, embora paliativa, funcionou: o dólar caiu e fechou a R$ 1,874, em baixa de 0,58%.



BB/inquérito
O Banco do Brasil vai abrir inquérito administrativo para apurar de onde saíram as informações das 100 maiores dívidas da agropecuária com o banco, divulgadas pelo jornal ‘‘Folha de SP’’, com erros, no último domingo.
BB/sigilo
O superintendente do Banco do Brasil no Paraná, João Carlos de Mattos, disse à repórter Vânia Casado que essas informações são de sigilo bancário e não poderiam ser transmitidas ao público. (Veja mais neste caderno de Economia).
Milho/dólar
O indicador de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 9,80/saca (-0,10%). Em dólar, US$ 5,24/saca (+4,17%). O valor a prazo ficou em R$ 10,20/saca, estável.
Soja/Paraná
O indicador de Preços da Soja no atacado (Esalq/BM&F) ficou ontem em R$ 18,67/saca (-4,99%). Em dólar, US$ 9,97 (-1,09%). O cálculado é com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.
Boi SP/alta
O preço à vista do boi gordo, em SP, ficou ontem em R$ 32,81/arroba (+0,58%). Em dólar, a cotação fechou em US$ 17,36 (+4,70%). A prazo, o preço ficou em R$ 33,07 (+0,21%). Os dados são da Esalq/USP.

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