Oswaldo Petrin
Dólar ativa commodities
-O preço da soja, no Porto de Paranaguá, reagiu rapidamente às variações do dólar (ver matéria nesta página) e promete iniciar a segunda-feira em alta, só que aí vai depender de outra variável, a falta de chuva nas lavouras americanas. O clima exerce função determinante nas especulações da Bolsa de Chicago, o referencial de mercado para o mundo.
-Mas é bom ter cautela: não são todos os indicadores de mercado que acusam reação tão espetacular. O mercado chega ao final da semana de maneira meio confusa. Um parâmetro importante para Estado do Paraná, não acusou altas significativas. O indicador de Preços da Soja Esalq/BM&F ficou em R$ 19,65/saca, queda de 0,20%. Em dólar, o indicador registrou US$ 10,26/saca, alta de 1,48%. Esses valores são calculados pela Esalq com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.
-Mas o dólar, ontem exerceu influência em outras commodities. Depois acabou fechando em R$ 1,88, porque o governo interveio, com leilões. O boi, uma das commodities que ainda tentam manter uma certa referência com as cotações do dólar, teve as vendas reduzidas nos últimos - como vinha ocorrendo desde o início da semana - a espera de uma definição da moeda norte-americana. Os preços, no entanto, permanecem estáveis - com poucas variações - porque o atacado está bem abastecido.
-O preço à vista do boi gordo ficou em R$ 32,32/arroba, estável. Em dólar, a cotação fechou em US$ 16,88, àlta de 0,11%. A prazo, o preço ficou em R$ 33,00, alta de 0,03%. Os dados são da Esalq/USP e foram divulgados pela BM&F.
Medida provisória Vem através de medida provisória a resposta do governo aos agricultores:
-O governo vai editar, na próxima semana, uma medida provisória prevendo a prorrogação de dois anos no prazo de pagamento das dívidas dos agricultores e desconto de até 30% nas parcelas que vencem este ano e no próximo. Em nota divulgada ontem à tarde, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, afirmou que a partir da repactuação, das dívidas os produtores terão maior capacidade de financiar suas atividades.
-As novas regras de negociação que constarão da MP já foram rejeitadas pelos agricultores na semana passada. Mesmo assim, o governo decidiu implementá-las ao mesmo tempo em que a Câmara dos Deputados deverá estar votando o projeto que prevê redução de 40% e carência de quatro anos nas dívidas do setor.
-Quem tem dívida securitizada até R$ 200 mil terá até 12 anos para o pagar. Acima de R$ 200 mil, ou seja, os que estão no Programa Especial de Saneamento (Pesa) terão prazo de até 22 anos. (Veja na primeira página deste caderno).
Leitor
Sábado é dia do leitor que escreve. Desabafos, sugestões por telefone, carta, fax e e-mail. Temas para debate como interpretação que a mídia dá ao caminhonaço (Arlindo Carelli) e ferrovias (Massa), se esgotaram no meio da semana.
Leitor/insumos
Jonas C. Zimo, produtor de grãos, benefício de café e arroz na região de Maringá, às lideranças agrícolas: Organizaram o caminhonaço, que é um caminho político válido, mas esqueceram de negociar com as indústrias um reajuste civilizado para os insumos.
Leitor/custos
Manoel S. Lins e Silva, de Paranavaí, sobre custos de produção: Dias atrás, lí nessa Folha informação sobre reajuste dos fertilizantes e herbicidas, em média 14%. Na prática nenhum produto aumentou menos que 25% na comparação com a safra passada.
Leitor/custo 2
Walfredo A. de Castro, de Santo Antônio da Plantina: Aprendizes do caminhonaço, somos mesmo amadores. Saímos na estrada feito grevistas e esquecemos de mostrar nossos custos, nossos números. Resultado disso pode ser um fiasco.
Leitor/arado
Agostinho Mendes Caldeira, de Iporã: Se depender do crédito desse governo para investir em tecnologia, a agricultura vai voltar ao tempo do arado puxado por burros; plantio direto será na base da matraca e o transporte será na carroça para evitar pedágio.





