Fraga admite crise
-O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, admitiu pela primeira vez, ontem, em entrevista à CBN - cadeia de emissoras de rádio da Globo -, que realmente, o País vive crise plítica e econômica. Foi quando lhe perguntaram sobre as variações do dólar nos últimos dias. Embora isto não pareça novidade para políticos e analistas, o inusitado está no fato desse cenário ser admitido por alguém importante do governo. Normalmente, as autoridades procuram escamoter essas realidades, que, aliás só contribuem para aumentar a especulação. Fraga admitir crise política e cambial ou econômica é tão singular quanto Pratini, ministro da Agricultura, admitir que o governo, através do Banco Central ou Banco do Brasil, errou no recálculo das dívidas dos agricultores. E ele admitiu ontem (ver neste caderno).
-Sobre Fraga, na CBN, ontem: ele explicou que a turbulência no mercado se deve à uma situação política conturbada no Brasil e ao medo, no ambiente externo, das taxas de juros. Fraga acredita que a situação do país está melhor porque o Brasil está começando a crescer e a gerar empregos. Mas ele alerta: essas coisas não passam de um dia para outro e é preciso continuar remando’’. Só a Agência Globo explorou discretamente o comentário.
-O presidente do BC acrescentou que está estudando formas de diminuir a
diferença entre os juros básicos da economia e os juros bancários em 12
meses.
-O BC está trabalhando com grande expectativa de resultado em um horizonte
de 12 meses, na questão dos juros bancários. Existe uma diferença entre
o juro que o consumidor paga e o juro básico da economia. Estamos estudando
essa diferença de forma a diminuir isso para que no Brasil se tenha o que
se tem em outros países: um mercado de crédito que funciona mais livremente
e a custos mais razoáveis.
-Confirmando a existência da crise, Fraga terminou a entrevista sugerindo que o pequeno investidor continue fazendo aplicações na poupança, ‘‘por oferecer mais segurança’’. Para quem pode aplicar um pouco mais, ele sugere investimentos na casa própria e no mercado de ações.
-A alteração das regras para financiamento da casa própria também é outro
assunto em estudo. Segundo Fraga, a Caixa Econômica tem tradição no financiamento da casa própria mas ela é uma instituição só e não é possível esperar milagres. De acordo com o presidente do BC, há estudos em fase avançada para mudar essas regras de forma que o setor possa se desenvolver.
-O horário bancário também foi abordado por Fraga. Na sua opinião, o horário
deveria ser mais flexível para beneficiar o consumidor. O horário é estabelecido e regulamento pelo BC, mas depende das regras
trabalhistas dos bancários. Como a jornada dessa categoria é de seis horas,
o horário dos bancos acaba sendo mais curto que o horário de funcionamento
dos demais negócios do país.



Menos calcário
A encomenda de calcário é menor nesta safra, segundo cooperativas. E o Sindicato da indústria do setor (Sindical) confirma. No primeiro semestre houve redução de 22% em relação ao mesmo período de 98. Motivo é a redução de custos.
Álcool
Preocupado com o caminhonaço, o ministro Pratini está em débito com o setor sucroalcooleiro. Semanas atrás, o presidente FHC deu sinal verde ele promova ações para a revitalização do Programa do Alcool (Proálcool).
Soja/Paraná
O Indicador de Preços da Soja no atacado, ficou ontem em R$ 19,39/saca (+2,97%). Em dólar, US$ 10,01/saca (+0,60%). O Indicador é calculado pela Esalq com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Paraná.
Milho/alta
O indicador de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 9,82/saca (+0,30%). Em dólar US$ 5,07/saca (-1,93%). O valor a prazo ficou em R$ 10,20/saca, estável. Previsão do mercado é alta de preços para setembro.
Foi Turra
Avicultura do Paraná pede a volta dos estoques reguladores de milho. Fonte do setor garante que foi o ex-ministro Turra, para beneficiar sua clientela eleitoral, que incentivou remoção dos estoques paranaenses para o RS.

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