Nova lei americana
- Enquanto o Forum Nacional da Agricultura (FNA), aberto ontem em Brasília, discute temas importantes como tributação, mercado e outros estrangulamentos do agronegócios, segmentos da própria agricultura estão preocupados com os efeitos da nova Lei Agrícola norte-americana vir a se tornar uma barreira à entrada de produtos industrializados no mercado dos Estados Unidos. Tanto que uma missão brasileira pretende levar esta preocupação à Organização Mundial do Comércio que se reunirá dia 9 de janeiro, em Cingapura.
- A Federal Agriculture Improvement and Reform - Fair -, nova lei assinada em junho deste ano por Bill Clinton, provocará impactos, principalmente no que se refere aos subsídios. Ela reduziu o nível de proteção governamental mas, mesmo assim, ele ainda continua desproporcionalmente elevado em relação aos competidores dos EUA no mercado internacional. Além disso, o modelo de produção fica mais orientado para o mercado e tende a tornar mais eficiente o produtor norte-americano.
- Sobre a reunião de Cingapura: Pela primeira vez, o setor agropecuário do Mercosul deverá ter, na reunião, uma postura conjunta em defesa da produção regional e da igualdade de competição de seus produtos frente aos americanos e europeus, ambos altamente subsidiados. O Mercosul pretende pleitear, em Cingapura, a retomada das negociações em torno do Acordo de Agricultura da OMC, que disciplinou o comércio agrícola mundial, a partir de 1995, com a conclusão da Rodada Uruguai do antigo Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), hoje transformado em OMC.
- O acordo deu início a um processo de limitação das políticas de apoio interno (subsídios, pagamentos diretos vinculados à produção e outros), que terão de ser reduzidas em 20% até o ano 2000, e de subsídios às exportações, que terão de ser reduzidos em 36% em valor e em 21% em quantidade, também até o ano 2000.
- A Fair deu maior liberdade aos produtores, mas ainda assim manteve elevados subsídios às exportações agrícolas americanas e restrições à entrada de produtos estrangeiros, conforme comenta o especialista da AE, Fredy Krause. Além disso, a lei foi votada em um cenário favorável a sua aprovação, com preços agrícolas elevados e estoques nos mais baixos níveis desde a Segunda Guerra Mundial, exportações recordes em 1994, renda agrícola crescente e perspectivas de ampliação do mercado internacional, além de forte ‘‘lobby’’ das empresas voltadas à produção de equipamentos e de insumos agrícolas.
- Amanhã, no Espaço Cultural da Câmara, haverá reunião sobre ‘‘Mercosul e a Nova Lei Agrícola dos Estados Unidos’’, promovida pela Comissão de Agricultura e Política Rural da casa e pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). Participam repesentantes do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Estados Unidos.Milho, Kowalski
- A analista de Mercado Vera Velho, da Agriplan, Porto Alegre, concorda com a opinião do empresário Nelson Kowalski, de Apucarana, de que o preço do milho em 97 - em condições normais -, deve voltar aos níveis de R$ 5,50/5,60.
Vera Velho
- Vera vê pelo menos uma oportunidade para o produtor vender bem o milho: início de janeiro a fevereiro quando a oferta de milho novo ainda é pequena. Vai ganhar bem quem tiver milho precoce. Em março o preço desaba.
Da Argentina
- Os bons preços da última safra foram creditados a frustrações localizadas como a do RS e SC e ao mercado internacional. Essas condições dificilmente se repetirão este ano e o mercado tende a voltar à sua realidade.
Oferta
- Preço argentino é balizado pelas cotações internacionais; 60% da produção (de 12,5 milhões de t) são exportadas. Argentina espera uma safra normal no próximo ano. Em 97 o milho argentino seria internalizado por US$ 100,00/t, ou US$ 8,70/saca, conforme projeção da Agriplan.
Clima
- Embora concorde com um período de preços baixos (se comparados aos desta safra), a analista de mercado observa, no entanto, que ‘‘ainda há muito chão pela frente’’ e qualquer projeção agora teria que ter o ‘‘aval’’ da meteorologia.

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