Leitor contesta mídia
-Do leitor Arlindo O. Carelli, de Londrina, sobre o ‘‘perdão’’ da dívida: (Perguntas que os críticos do caminhonaço não conseguiriam responder).
-‘‘É compreensível a posição de alguns órgãos da imprensa quando criticam o movimento organizado dos agricultores e se manifestam sobre o que denominam ‘‘perdão da dívida rural’’. Isto ocorre porque não é possível conhecer a fundo a verdadeira realidade de cada segmento da economia sem ser parte do seu contexto. Só quem vive o dia a dia da atividade e encara seus desafios pode avaliar o que a agricultura nacional significa para o Brasil. O movimento é legítimo e patriota. Podemos escolher entre produzir e gerar riquezas com exportação de excedentes ou importar alimentos em volumes cada vez maiores, fato este decorrente das desastrosas políticas para o setor que, com certeza, não são elaboradas por gente do ramo.
-‘‘Qual é a origem do endividamento agrícola? Alguém parou par analisar que os governos vêm empurrando o problema sem encará-lo de frente? Ou será que são corretos procedimentos como os PROERs da vida e a facilidade com que se criam condições que permitem aos bancos lucros absurdos como ocorreu com a desastrada desvalorização do câmbio? A nação tem conhecimento da transferência de rendas que houve com nas últimas décadas do setor primário para os bancos?
-‘‘Por que razão o país tem importado trigo, feijão, arroz e milho? Com que recursos o País paga essas importações? Esses recursos não poderiam ser canalizado para a produção interna, gerando empregos no campo?
-‘‘Para citar apenas mais um setor da economia, um número cada vez maior de nossas empresas tem entrado em colapso decorrente da agiotagem legalizada. Como a agricultura pode pagar os juros que lhe foram imputados se considerarmos que os preços dos produtos agrícolas sempre se mantiveram estáveis, garantindo âncora para planos econômicos?
-‘‘Onde foram aplicados os recursos obrigatórios que os bancos deveriam ter aplicado na agricultura a juros fixos, em períodos anteriores ao planto real, recursos estes oriundos dos depósitos à vista a custo zero?
-‘‘Quantos agricultores já quebraram e quantos ainda vão quebrar? O País vai esperar acontecer a derrocada da sua agricultura para, depois, pagar um preço elevado? Há uma consciência nacional de que sem solucionar o problema do endividamento agrícola as importações continuarão aumentando? Por que será os números do governo nas contas da balança comercial não fecham com as metas estabelecidas?
-‘‘Como foi o tratamento dado à agricultura nos empréstimos após o plano real? Mesmo com maiores encargos financeiros do mundo, após o real a agricultura ainda consegue produzir. Isto é paternalismo ou é dedicação do agricultor?



Arlindo Carelli
Carta de Carelli expressa opinião de outros leitores. Ele também alerta para o sucateamento do parque de máquinas e os agricultores não permitiram que isto refletisse em queda de produtividade ou qualidade dos alimentos.
Sem crédito
E lembra que há muitos anos os produtores têm plantado sem financiamento. Quem recorre a empréstimos o fez tomando dinheiro no mercado a juros de mercado e sem seguro que cubra a produção.
Jair Pincelli
Do leitor Jair J.N. Pincelli, produtor de batatas em Ponta Grossa: Bancamos nossa produção, corremos todos os riscos, não temos seguro e pagamos impostos altos. Aceitamos tudo isso. Não merecemos, porém, a importação subsidiada.
Distorção
Jouracy C. Bravo, de Ivaiporã: segundo o Banco do Brasil, 80% das dívidas são
de 6% de grandes produtores. Não estou entre eles, mas pago o mesmo preço pelos insumos, impostos. Por que deveria me sentir usado, como foi dito ontem na sua coluna?
Pratini/Malan
Quem disse foi o ministro Pratini. E Pedro Malan acrescenta (AE, ontem): 84% dos mutuários respondem por apenas 5% da divida (até R$ 200 mil), e a ‘‘imensa maioria, ou seja, os 90% que devem até R$ 500 mil, são responsáveis por 11% da dívida.

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