Oswaldo Petrin
O leitor se decepciona
Sábado é dia do leitor se manifestar (correio, e-mail, telefone, fax) colaborando com críticas e sugestões.
-O artigo Bitola estreita (30 de julho) foi alvo de polêmica. Alguns empresários do setor de transporte de carga entenderam como crítica ao transporte rodoviário, o que foi apenas uma lembrança que a ferrovia não está morta, nem pode morrer. E que os trilhos são de ferro mas estão precisando de um trato. De qualquer forma, agradeço as manifestações de Pedro C. Ramalho, de Maringá; Roberto M. Sliverio, de Jacarezinho; Antônio Costa, Guarapuava; Tercio P. Castro, de Cianorte, e o pessoal da Ferroeste. E o esclarecimento da RFFSA, sobre projetos de traçados. Como justifiquei ao telefone, os dados me foram passados pelo engenheiro Paulo Ferraz, ex-superintendente, citado no artigo.
-Transcrevo, a seguir, a carta do empresário Massa, de Maringá (e-mail [email protected]), que expressa a decepção de tantos paranaenses que pensavam, como nós, que a ferrovia estivesse iniciando uma nova era. Pelo jeito, infelizmente, não.
-Muito lúcido seu artigo sobre ferrovias nesse nosso Brasil. Estou de pleno acordo com o seu ponto de vista, mas com a greve dos caminhoneiros busquei alternativa para o transporte de insumos para a linha de produção da minha empresa, justamente pela via ferroviária, já que na minha opinião, transportar cerca de 20 toneladas por via aérea seria inviável.
-Posto isto, senhor jornalista, lanço ao jornalista um pequeno desafio:
1) Pegue a lista telefônica de Maringá e encontre o telefone da Ferrovia Sul Atlântico. Quantas tentativas o sr. precisa para descobrir o número correto?
2) Caso tenha tido sorte no primeiro item, descubra, então, quantas pessoas podem lhe informar sobre o transporte via ferroviária de mercadoria de São Paulo para Maringá.
3) Conseguiu o contato com a única pessoa que pode lhe passar informação?
-Caso o senhor tenha tido mais sorte que eu e conseguiu contato com a mesma em menos de 24 horas, pergunte a ela qual o peso mínimo que a ferrovia transporta.
-Pois é, senhor jornalista, eu fiz tudo isso. Agora vou continuar pagando mais caro para os caminhões destruírem as estradas que danificarão os nossos automóveis quando sairmos em férias por um único bom motivo: não existe alternativa viável neste país para uma pequena empresa movimentar insumos e mercadorias se não for via rodoviária. Triste verdade.
Força agrícola
O presidente FHC não conseguiu reverter o quadro: ontem, parlamentares do setor agrícola voltarem a ameaçar o governo com o projeto, aprovado pela Comissão de Agricultura da Câmara, que reduz em até 60% as dívidas do setor.
Hora H
A bancada ruralista vai tentar votar o projeto no plenário da Câmara no início da próxima semana, quando a marcha dos agricultores estará em Brasília. Isto, aliás incentiva a adesão ao caminhonaço. Movimento pode surpreender.
Sem acordo
O ministro Pratini se reuniu por duas horas com representantes da bancada ruralista, sem acordo. Os parlamentares saíram do encontro insistindo na votação do projeto em regime de urgência pelo plenário da Câmara.
Apoio
Não queremos peitar o governo, mas temos a nossa proposta. O governo tem de apresentar uma contraproposta concreta, disse o presidente da Comissão de Agricultura, Dirceu Sperafico (PPB-PR). PSDB e PFL continuam fora.
Preocupado
A estratégia é conquistar o apoio dos deputados desses partidos, independente dos líderes. Enquanto isso, o ministro Pratini, no desespero, tentará novas negociações neste sábado e domingo. Talvez não encontre os ruralistas em Brasília.





