Oswaldo Petrin
A marcha do produtores
-O pesadelo da sexta-feira, 13, e ainda agosto - com tudo que os supersticiosos têm direito de embutir -, para o presidente FHC fica transferida para segunda-feira, 16. É que naquele dia o caminhonaço desfila barulhento no eixo monumental enquanto o plenário da Câmara vota o projeto da renegociação da dívida, magistralmente negociado com os partidos de oposição em troca da inclusão de reivindicações dos pequenos produtores. Diz-se que o castigo que o governo impôs ao setor produtivo não escolheu tamanho.
-Cerca de 200 caminhões partem hoje de Erexim (RS) para o Movimento Acordo Rural, que vai reivindicar a aprovação, no Congresso, do projeto de refinanciamento das dívidas do setor no País. Conhecida como caminhonaço, a caravana cruzará Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás, recebendo a adesão de produtores. Depois de percorrer 1,94 mil quilômetros, chegará a Brasília na noite de segunda-feira, onde vai se encontrar com grupos originários de mais 12 Estados.
-O movimento vem com a garra, a valentia e a grandiloquência gaúchas. Eis que a concentração de partida se dá no ambiente - e sob a bênção - de um Centro de Tradições Gaúchas (CTG). Isto não ocorre por acaso, dirão os próprios gaúchos.
-Caminhões das regiões mais afastadas do Estado, como a fronteira Oeste, começaram a viajar pela manhã, informou Em 1995, um movimento similar também chegou a Brasília, mas sem organização nacional como o atual.
-Segundo o vice-presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), organizadora da caravana, João Carlos Machado, pelo menos 10 mil produtores de todo o Brasil permanecerão na capital federal até a votação em plenário do substitutivo do deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO) - aprovado ontem na Comissão de Agricultura da Câmara -, possivelmente na quarta-feira. O projeto que prevê a renegociação global das dívidas do setor no País, estimadas em R$ 24 bilhões, com juros de 4% ao ano, 20 anos para pagamento com quatro de carência e desconto de 40%. (Entrevista, ontem, ao repórter Sérgio Bueno, da Agência Estado).
-Bem encaminhada na Câmara, a proposta corre o risco de receber vetos do Executivo. Machado, entretanto, afirmou que, se o governo olhar para a situação dos produtores com responsabilidade, verá que todo o País necessita da solução embutida no projeto. Toda a economia e a sociedade serão beneficiadas com a geração de mais emprego e renda.
-Em contrapartida ao refinanciamento das dívidas, o setor compromete-se a gerar 1,5 milhão de novos empregos no campo em três anos e chegar a 2003 com uma produção de 100 milhões de toneladas de grãos. Este desempenho permitiria gerar US$ 45 bilhões em exportações de produtos agropecuários.
No Paraná
O caminhonaço vai de Erechim a Guarapuava com parada para almoço em Xanxerê (SC). No dia seguinte (13), parte às 7 horas de Guarapuava com destino a Londrina, onde deve chegar às 17 horas. O almoço será em Ivaiporã (PR).
Roteiro
Sábado, a caravana sai de Londrina, também às 7 horas, e viaja 12 horas até São José do Rio Preto, com almoço em Presidente Prudente. No domingo (15), o roteiro vai até Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde chega às 18 horas.
Chegando...
Haverá parada ao meio-dia entre Frutal e Prata (MG). A última etapa, na segunda-feira, compreende as BRs-050 e 040 até Brasília, com almoço em Catalão ou Campo Alegre de Goiás (GO).
Na estrada
A caravana será escoltada pelas polícias rodoviárias de cada região. Os caminhões viajarão durante o dia e os motoristas estão orientados a manter o espaço regulamentar entre um e outro para não bloquear o tráfego.
Telefone
Em cada parada haverá um ponto de apoio já acertado com a coordenação de cada Estado. A Farsul instalou um número de telefone (0800-51-2040) que disponibilizará dois boletins diários sobre o movimento.





