Ficou para hoje
-O ministro Pratini de Moraes, que vinha respaldando as teses dos agricultores, com algumas exceção, teve uma recaída ontem. Em nome da disposição do governo em negociar com os produtores, Pratini quase ‘‘melou’’ a votação do alongamento da dívida agrícola na Comissão de Agricultura.
-Tudo isso porque o governo já teme o impacto do caminhonaço, que está crescendo.
-Seguinte: o governo decidiu agir à última hora e tentar negociar com os ruralistas no Congresso a proposta de alongamento de todos os débitos do setor rural (R$ 20 bilhões). Pouco antes de a Comissão de Agricultura votar ontem, em sessão extraordinária, o substitutivo do deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO) ao projeto do deputado Augusto Nardes (PPB-RS) - que prevê um prazo de 20 anos para o pagamento das dívidas, com quatro anos de carência, juros fixos de 3% ao ano e um desconto final de 40% dos débitos - o ministro da Agricultura Pratini de Moraes, fez um apelo para que esperassem uma contra-proposta do governo.
-A sessão da comissão foi suspensa - e a votação do projeto ficou adiada para hoje, às 9h40, conforme a AE. A bancada ruralista conseguiu um acordo com os partidos de oposição e quer colocar o projeto em votação no plenário da Câmara em regime de urgência na semana que vem, durante a manifestação do caminhonaço de agricultores em Brasília, na ‘‘Mobilização Acordo Rural’’. Ontem à tarde, os líderes do PT, PDT, PPS, PL e PMDB já tinham assinado o requerimento de urgência para o substitutivo de Ronaldo Caiado. Faltava a adesão dos partidos que apoiam o governo como PFL, PSDB e PPB.
-Um dos itens mais polêmicos da proposta que deverá ser votada hoje na Comissão de Agricultura é o que garante um desconto de 40% no total das dívidas de crédito rural - que vem sendo chamado de ‘‘bonificação’’ pelos parlamentares - e provocará um rombo de no mínimo R$ 8 bilhões nas contas do Tesouro. Os partidos de oposição decidiram apoiar a proposta desde que fossem incluídas emendas que darão um tratamento especial aos débitos de mini e pequenos agricultores, que terão um desconto de 20% e 30% em cada parcela anual renegociada.
-‘‘Sabemos que o projeto vai beneficiar os grandes produtores, mas não podemos ser contra porque os pequenos também precisam dessa renegociação’’, disse o deputado Adão Preto (PT-RS) à repórter Mariângela Herédia. Outras emendas são as que garantem que quem desviou os recursos do crédito para outras finalidades não terá financiamento e a que proíbe o Tesouro Nacional de equalizar os empréstimos de fontes que não têm custo de captação, como as exigibilidades bancárias (parcela de 25% dos depósitos a vista que deve ser aplicada na agricultura).



CPMF
Valeu à pena, para o governo, enfrentar o desgaste eleitoral mas ter de volta a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira): a arrecadação tributária ultrapassou R$ 13 bilhões em julho, contra R$ 11,2 bi em junho.
Saco-sem-fundo
Contribuiu para o aumento da arrecadação a volta do recolhimento da CPMF, ao longo de 30 dias, contra 14 dias em junho. Os dados finais da arrecadação apontam números bem mais altos. Os burocratas da Fazenda comemora saltitantes.
Milho
O indicador de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 9,67/saca (+0,52%). Em dólar, US$ 5,18saca (-0,58%). O valor a prazo ficou em R$ 9,90/saca, estável. Veja preço ao produtor, ao lado e nos quadros abaixo.
Boi gordo
O preço à vista do boi gordo ficou em R$ 32,96/arroba (-0,03%). Em dólar, a cotação fechou em US$ 17,67 (-1,12%). A prazo, o preço ficou em R$ 33,57 (+ 0,06%). Os dados são da Esalq/USP.
Soja Paraná
O indicador de Preços da Soja no atacado (Esalq/BM&F) ficou ontem em R$ 18,73/saca (+3,25%). Em dólar, US$ 10,04/saca (+2,14%). O Indicador é calculado com base nos preços praticados no disponível em cinco praças do Paraná.

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