Oswaldo Petrin
Boi perde 9% do mercado
-A quebra-de-braço entre pecuaristas e frigoríficos tem seu ponto alto esta semana, que começou com alta de preços em São Paulo. O preço à vista do boi gordo ficou em R$ 32,97/arroba, alta de 0,06%. Em dólar, a cotação fechou em US$ 17,69, queda de 0,73%. A prazo, o preço ficou em R$ 33,55, queda de 0,15%.
-Mas os atacadistas já avisaram: está difícil repassar novas altas para o consumidor. Embora o bife brasileiro o mais barato do mundo, as altas - acumulando 16% em dois anos sobre os índices aferidores oficiais de preços -, não são compatíveis, resume especialista em mercado da carne.
-No Paraná, a guerra de preços está mais clara. Sindicarnes-PR previu para hoje queda de R$ 1,00/arroba, refletindo expectativa dos frigoríficos. Ontem os frigoríficos compraram da mão para a boca, ou seja, só o necessário para manter escalas razoáveis. O especialista em mercado, Gustavo Fanaya, do sindicarnes-PR disse à repórter Katia Baggio, deste jornal, que a semana começa complicada para o setor. Pecuaristas insistem em manter o preço da arroba em R$ 32,00 e por conta disso praticamente não houve negócios ontem. O preço do traseiro foi comercializado a R$ 2,55 e dianteiro R$ 1,55. Em São Paulo traseiro chegou a R$ 2,50 nos pouquíssimos negócios realizados.
-Até a semana passada preços estavam compatíveis com o Mato Grosso do Sul (R$ 32,00), porém eles passaram a oferecer a arroba a R$ 31,00, apostando também no fechamento das fronteiras. O que não altera muito a situação para o Paraná.
Frigoríficos resolveram comprar o mínimo possível para forçar a queda no preço da arroba para, pelo menos, R$ 31,00 nesta terça. Com isso ainda estariam acumulando perdas.
-Fanaya argumenta que o preço de R$ 30,50/arroba praticado há cerca de 20 dias poderia reequilibrar o mercado, por enquanto. Mas acredita que o mínimo oferecido pelos criadores deve ficar mesmo em R$ 31,00 no decorrer da semana.
-A propósito: o consumo de carne bovina no Brasil deve cair 9% em 1999 em relação ao ano anterior, de acordo com análise do Instituto de Planejamento de Santa Catarina. Segundo o analista de carnes, Jurandi Machado, o consumo de carne bovina deve recuar de 34 kg per capita em 1998 para 31 kg per capita. A queda está sendo provocada pelo deslocamento do consumo para o frango. Ao contrário do consumo, a produção nacional de carne bovina deve crescer em 1999 devido a um aumento nos ganhos de produtividade (AE). A estimativa é de que a produção de carne no Brasil deve ficar, em 1999, entre 6,2 milhões e 6,3 milhões de t, um crescimento de 1% em relação ao ano anterior. Machado informa também que os preços no mercado interno estão sendo sustentados pelo bom desempenho das exportações, que ficaram em 251,7 mil t no primeiro semestre de 1999, gerando divisas de US$ 367 milhões. A expectativa é de que as exportações terminem o ano em torno de 500 mil t ante 360 mil t em 1998 (+40%).
Açúcar
Os preços do açúcar vão continuar sob pressão na safra 99/2000. Em reunião que ocorre em Napa, na Califórnia, o setor açucareiro espera uma demanda maior dos asiáticos, mas os estoques mundiais vão crescer devido ao aumento de produção.
Acima do consumo
A produção mundial vai superar o consumo de açúcar. Estoques deverão estar 25% acima do consumo mundial no final da safra. Empresas do setor estimam uma produção de 3 milhões a 5 milhões de t maior que o consumo.
Lácteos
As importações de leite em pó de janeiro a maio somam 67,9 mil t, contra 67,4 mil no mesmo período de 98. Mas, para vender mais ao Brasil, os exportadores tiveram de reduzir os preços médios em 12%, em dólar, no mesmo período.
Balança
Segundo João Koehler, do Deral-PR, a tonelada recuou para US$ 1.460 neste ano. A importação total de leite, no entanto, caiu 17% em valor e 9% em volume. O país gastou R$ 162,5 milhões com as compras de lácteos de janeiro a maio.
Milho/lotes
O indicador de preço do milho no atacado, ontem, calculado pela FGV/BM&F, ficou em R$ 9,62/saca (-0,21%). Em dólar, US$ 5,16/saca (-0,96%). O valor a prazo ficou em R$ 9,90/saca (-1,00%). Preço ao produtor sobe (ver quadros).





