Oswaldo Petrin
Prevaleceu a lógica. Os membros do Conselho Monetário Nacional (CMN) não se impressionaram com os aumentos de consumo localizados e não aprovaram medidas de restrição ao crédito que inibissem a demanda agregada de bens. Medidas para controlar o consumo não estavam sequer na pauta, ao contrário do que se especulava. Restrições ao crédito, neste momento, significaria precipitar uma certa recessão que pode ser prevista para o segundo semestre, conforme sinalizam alguns agentes econômicos, inclusive nos setores de crédito, alimentação e vestuário.
Na agroindústria os beneficiados foram os setores fertilizante mineral e defensivos. O CMN autorizou na reunião de ontem que as revendedoras e distribuidoras de fertilizantes e defensivos utilizados na agropecuária tenham acesso a recursos captados no exterior com juros mais baixos que os praticados no mercado interno. (Ficou de fora, por enquanto o setor sementeiro, que não havia reivindicado).
Isto sempre foi possível - a captação de empréstimos em praças internacionais. Mas a medida de ontem teve o objetivo de impedir que o setor agrícola seja prejudicado com as restrições feitas às importações no mês de março. Cerca de 50% do consumo interno de fertilizantes é importado. Há uma medida provisória disciplinando importações de produtos a juros baixos e prazos generosos, mas isto é para evitar concorrência com o produto nacional.
Para as matérias-primas formuladoras de fertilizantes teria de haver uma exceção. A indústria misturadora brasileira depende da produção externa desses componentes. O governo vinha estudando uma linha de crédito especial para o setor. Era uma das alternativas para evitar o aumento do custo dos que seriam repassados e embutidos nos custos de produção.
Explicando melhor: com as medidas de restrição às importações do mês passado (ver notícia acima), as revendedoras e distribuidoras tinham que fazer o pagamento dos insumos à vista. A mudança foi autorizada ontem pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). A idéia agora é distribuir melhor os recursos dentro do setor.
Direito de gastar Como o CMN não quis impor freio ao consumo, o pressuposto é que mortais consumidores têm direito de gastar, se o seu poder de compra permitir. Melhor assim. Qualquer restrição ao crédito atingirá em cheio o macro da economia. Na realidade, o que se tem são alguns excessos localizados, nada além das chamadas bolhas de consumo. Não fazem mal a ninguém. Os inimigos potenciais do plano de estabilidade ainda são as tarifas do governo, atiçadas pelos agentes estatais e pela figura do saco-sem-fundo da gastança pública.
Gado/marca





