Oswaldo Petrin
Vendas futuras
-Pela terceira vez, o ministro Pratini, da Agricultura, dá resposta negativa a um pedido que na verdade os agricultores não fizeram: perdão à dívida securitizada. E também pela terceira ou quarta vez, o ministro volta a sugerir que o caminho para comercializar a produção são as bolsas, isto é o mercado futuro. A novidade é a internacionalização, com a participação de grandes investidores estrangeiros.
-Sobre a dívida: o que o setor está proponto é renegociação com prazo mais elástico. Proposta decente. Desta vez, a negativa do ministro foi manifestada em entrevista coletiva: o ministro garantiu ontem, em Porto Alegre, que o governo federal não vai conceder qualquer perdão às dívidas dos produtores rurais em todo o País. Ele deixou em aberta porém, a possibilidade de o governo aceitar o rebate (desconto) de 40% dos débitos já existentes, avaliados em R$ 24 bilhões, embutido no projeto de refinanciamento do deputado João Augusto Nardes (PPB-RS) que deve ser votado este mês no congresso.
-Não há uma posição final de governo a este respeito, disse Pratini, em entrevista ao repórter, Sérgio Bueno, da AE. Na opinião dele, o caminhonaço dos produtores rurais de vários estados, programado para chegar dia 16 em Brasília e pressionar pela aprovação do projeto, é normal dentro da democracia. Todo mundo tem o direito de se manifestar, comentou.
-O ministro reiterou que pretende reduzir a participação dos bancos públicos no financiamento à agricultura moderna praticada no Brasil, que deve buscar recursos no mercado internacional de futuros. O dinheiro público tem de ir para o pequeno produtor e para programas especiais em regiões mais pobres, afirmou.
-Pratini também reforçou o compromisso de elevar a produção brasileira de grãos para 100 milhões de toneladas nos próximos anos e ajudar a País a atingir a meta de US$ 100 bilhões em exportações. De acordo com ele, o governo vai, na Rodada do Milênio da Organização Mundial do Comércio (OMC) e nas reuniões com os Estados Unidos e União Européia, trabalhar pela eliminação das restrições não tarifárias aos produtos agropecuários brasileiros.
-Sobre mercado futuro: a presidência da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) acredita que a internacionalização dos mercados agrícolas, aprovada na última reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), vai alavancar os futuros de agrícolas. Esse é um pedido antigo da BM&F ao Banco Central e o presidente da bolsa, Manoel Félix Cintra Neto, explica que o fato de grande parte da produção agrícola brasileira ter como destino o Exterior sempre motivou um interesse desses compradores em fazer hegde no Brasil. Esse é o caso do café, por exemplo, setor em que o Brasil é o maior exportador mundial. Os compradores são hoje obrigados a fazer hedge em Nova York, em contratos que consideram o café da Colômbia.
Vendas futuras
O ministro Pratini, da Agricultura, insiste que a agricultura deve buscar liquidez no mercado. A propósito, Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F) começa a operar contratos futuros com abertura para o mercado internacional em outubro.
BM&F
No início só algodão, boi e café. Depois, soja e milho. Outras commodities como suco de laranja e frango congelado podem começar a ser viáveis numa etapa posterior. Abertura do mercado para investidores estrangeiros é uma esperança.
Via Chicago
A BM&F prevê duplicação dos negócios agrícolas na Bolsa com a participação dos estrangeiros, que vão operar via bolsas de Chicago, Paris e Cingapura. A BM&F está apostando, inclusive, no aumento de investidores do Mercosul.
Mais crédito
Os técnicos da BM&F prevêem que a oferta de crédito para os produtores pode dobrar com a participação dos estrangeiros. Com custos e preços conhecidos, o financiador já terá idéia do lucro do produtor, elevando a oferta de crédito.
No Paraná
Ampliação de mercado é sonho também do presidente da Bolsa de Mercadorias e Futuro de Londrina (BML), Nagib Abudi Filho. Paranaenses podem participar da BM&F, via BML, uma das cinco filiadas em todo o País. Informações 43 324-8885
324-8880





