-A reunião de hoje do Conselho Monetário Nacional (CMN) pode adotar medidas que venham a mexer com os interesses da maioria das pessoas. Agentes econômicos de todos os setores estão na expectativa de medidas de caráter restritivo ao crédito para consumo: prazos, taxa de juros, regras de consórcios e limites aos financiamentos bancários. São medidas factíveis, desde que o governo decida pelo desaquecimento do consumo. Não há alternativas que não essas, passando pelos mecanismos de política monetária.
-Mas tudo isso são conjecturas. As autoridades econômicas, até ontem, trataram de descaracterizar essa tendência, alegando que o aumento do consumo é apenas localizado. Um dos indicadores que ainda preocupam é o volume de crédito para pessoas físicas, considerado alto pelo governo. Na véspera da reunião do CMN, até o presidente FHC procurou tirar a importância de medidas restritivas - sem, contudo, negar que elas possam acontecer: se necessário, a equipe econômica tem liberdade para adotar restrições ao consumo.
-Não é sem justificativa - na ótica do governo - que medidas para frear o consumo venham a ser adotadas. Ontem mesmo fontes do governo estavam admitindo que haja um ‘‘repique de inflação’’ a partir de maio. Há um erro de previsão da equipe econômica que até três semanas atrás apostava na permanência de taxas de zero a meio por cento. As projeções tinham como indicadores o (bom) comportamento dos preços dos alimentos e vestuários. Mas aí vieram os ‘‘reajustes’’ (aumento real) das taxas de serviços. De novo, como a Petrobrás em outras épocas, os preços públicos é que concorrem contra a estabilidade.
-Uma coisa é certa, se o CMN adotar alguma medida, ela não será setorial, segundo especulava-se ontem. Assim, a restrição ao crédito, se for aprovada, afetará o conjunto da economia. E por isso o temor de que o impacto seja uma indesejável contenção da atividade econômica tem fundamento.
- A 63 caipira Outra pauta da reunião de hoje do CMN é a alteração na Resolução 2.148 - a chamada 63 caipira - para permitir que as empresas distribuidoras de fertilizantes também possam usufruir das vantagens dos financiamentos externos para tornar viáveis as vendas a prazo aos produtores, sem acréscimo de preço. Pela legislação atual, apenas as indústrias têm acesso aos financiamentos e, com a mudança prevista no voto, os distribuidores poderão receber um ‘‘sub-repasse’’ de recursos das indústrias ou ainda pegar os empréstimos diretamente.
-Outros dois votos da área agrícola também devem ser analisados pelo CMN. Um deles, elaborado pelo Banco Central, aumenta de quatro para seis meses o prazo de comprovação do cumprimento das exigibilidades bancárias - parcela de 25% dos depósitos à vista que deve ser aplicada na agricultura. O outro voto prorroga para 30 de setembro o prazo de vigência de uma linha de crédito de R$ 700 milhões, autorizada em julho de 1995 para capitalizar as cooperativas de produção e de crédito, por meio do financiamento de cotas-partes.Milho BM&F

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