Oswaldo Petrin
A proposta de Pratini
-O ministro Pratini, da Agricultura, defendeu ontem uma postura mais agressiva do Brasil perante os concorrentes internacionais na venda de produtos agropecuários. É plausível que se exija da agricultura brasileira mais competitividade, qualidade e, agora, pela cabeça de Pratini, mais agressividade comercial, embora ações desta natureza parecem pertinentes ao governo e não devam ser isoladas, pois estão relacionadas com imagem, relações comerciais e marketing.
-Seria mais plausível ainda que produtores e exportadores exigissem a contrapartida do governo: desoneração tributária, redução do custo Brasil e a reforma fiscal, que pode significar tudo isso e algo mais para aliviar o peso do custo final.
-Por enquanto, o produto brasileiro corre com um farto nas costas, enquanto concorrentes europeus - e mesmo o americano - são impulsionados pelo combustível do subsídio ou ajudados pela taxação às importações como as salvaguardas argentinas, por exemplo.
-Querer que os produtos brasileiros melhorem sua concorrência - quando têm que carregar peso tributário como nenhum outro - é pedir demais, nas condições em que ele compete. E a sugestão só não é vista como uma atitude cínica porque parte de Marcus Pratini, alguém que quer alavancar as exportações, é especialista em mercado externo e está cheio de boa-vontade.
-Tanto que ele reconhece ao classificar, ontem, a União Européia como um clube de subsídios agrícolas, onde 80% do orçamento, segundo ele, vai para o pagamento de subsídios. Disse isto em visita à Comissão de Agricultura da Câmara.
-O ministro defendeu uma mobilização intensa e disse (Agência Estado, ontem) que vai trabalhar em três frentes: na busca de financiamento ao agricultor brasileiro, adequado ao dos concorrentes; na logística, com a redução dos custos para a colocação dos produtos no mercado; e no marketing, para a colocação desses produtos.
-Não adianta ser competitivo na porteira, mas na prateleira do consumidor, disse o ministro. Ele afirmou que não vai ajudar o produtor a plantar, mas ajudá-lo a ter renda, com abertura de novos mercados para os produtos agropecuários.
-Pratini disse também que a União Européia é responsável em grande parte pela pobreza que afeta a agricultura brasileira, pois concede US$ 240 bilhões de subsídios, dos quais US$ 60 bilhões diretos e US$ 180 bilhões indiretos, pagos pelo consumidor, que adquire os produtos por preços superiores.
Globalização
O ministro insistiu que é preciso aprender a defender melhor o Brasil e que o governo vai trabalhar junto para ajudar o produtor a competir. Não podemos ser objeto da globalização, afirmou.
Renda real
Pratini destacou o momento difícil dos preços agrícolas no mercado internacional, que, segundo ele, são os mais baixos nos últimos 25 a 30 anos. Segundo o ministro, a renda real da agricultura caiu quase 40% nesta década.
Abriu demais
Ele arrancou aplausos da Comissão de Agricultura, na Câmara - informa Mariângela Herédia, da AE -, quando disse que o Brasil sempre foi uma economia fechada, mas que quando abriu, demais. Não podemos abrir mais um milímetro.
Consultora/livro
Foi lançado na Livraria Cultura (SP), o livro O Direito e o Avesso da Consultoria, 140 páginas, de Maria Ignez Prado Bastos. Aborda as dificuldades que os consultores enfrentam nas mudanças organizacionais.
Qualidade/vida
A autoria é diretora de relações públicas do 1º Congresso Nacional de Qualidade de Vida, que será promovido pela ABQV, em Curitiba, de 13 a 16 de outubro. É graduada em administração pela FGV e vencedora do Prêmio Nacional de Qualidade de Vida/98. 11 259-8282/259-8233.





