Oswaldo Petrin
Seguro sob suspeita
-Governo cria seguro rural, principal matéria desta página. O ministro Pratini de Moraes disse aquilo que os agricultores já sabem: O Brasil tem seguros de crédito agrícola, não tem seguro para proteger a safra. Só tem acesso ao Proagro quem financia.
-Mas, e o seguro que o governo está estruturando tem alguma novidade? Falta informação. E esta falta de dados sugere que o projeto não está pronto. Sabe-se, porém, que a nova proposta quer oferecer garantia ao investidor externo, aquele que vai canalizar, via mercado, o dinheiro para conferir liquidez que o agronegócio tanto precisa.
-No discurso, Pratini é enfático: O agricultor vai poder assegurar a
sua safra. Mas avisa que isso implica a criação de modernos mecanismos de resseguro, inclusive resseguro internacional. Gradualmente o governo vai implementar essa medida que é fundamental para que funcione o sistema de mercado futuro e a atração de recursos externos para financiar a nossa agricultura.
- Rodada do Milênio Durante seminário realizado ontem em São Paulo, para discutir posição brasileira na Rodada do Milênio, promovida pela Organização Mundial do Comércio, ficou praticamente acertado que o Brasil se aliará, taticamente, aos EUA. É que tanto quanto o Brasil, os EUA estão empenhados em pelo menos reduzir o forte protecionismo da União Européia (UE).
-O assessor econômico do Itamaraty, Carneiro Leão, prevê, entre outras estratégias da UE que ela usará muito a rejeição aos transgênicos para fazer disso um instrumento protecionista alfandegário. Os EUA, ao contrário, são francamente favoráveis aos transgênicos e já estão em choque com a Europa em torno do hormônio na carne, que usam em abundância.
-Os EUA estão convencidos de que a agricultura será o ponto central de sua atuação, diz Carneiro Leão, à Agência Folha (Clóvis Rossi), ontem. Outra tática da UE é defender o que chamam de multifuncionalidade da agricultura. Por essa teoria, a agricultura não é apenas um meio de produzir bens, mas, também, de defender o meio ambiente, o modo de vida rural e de segurar parte da população no campo.
-Mas há otimismo com relação ao mercado europeu: para o chanceler Lampreia, as chances de obter concessões européias são agora maiores do que na Rodada Uruguai, que se arrastou de 1986 a 93, sem grandes avanços na área agrícola.
Naquela negociação, havia o oposto de hoje, ou seja, uma aliança tácita entre produtores europeus e norte-americanos. O governo dos EUA estava mais preocupado em abrir os mercados para bens industriais, o que facilitou a manutenção do protecionismo agrícola.
Rodada/Milênio
Agora ocorre o contrário. Durante o Fórum Econômico Mundial de 99, o vice-presidente norte-americano Al Gore fez um discurso pregando o fim dos programas de apoio aos agricultores e a redução do crédito subsidiado para a exportação.
Rodada/Milênio 2
É tudo o que os produtores brasileiros também pedem. E estão à vontade para negociar porque a agricultura brasileira não tem mais onde abrir, na avaliação de Gilman Viana Rodrigues, vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura.
Rodada/Milênio 3
Ou seja, a abertura dos outros mercados não teria a contrapartida de novas aberturas internas. A propósito, ainda ontem comentamos aqui o erro histórico cometido no Mercosul, ao abrir as fronteiras para produtos argentinos.
Posição clara
Enfim, o Brasil não fará concessões tarifárias no comércio internacional enquanto seus parceiros não derem sinais claros de que vão reduzir os subsídios agrícolas. O Brasil não pode pagar duas vezes.
Pratini
A posição é liderada pelo ministro Pratini de Moraes, expressando a exigência que empresários do setor de agribusiness levaram ontem ao Seminário, em SP. Agências Estado e Folha disseram que os empresários tiveam posição firme.





